26.2.13

Clooneyland

No tapete vermelho do Oscar a repórter disse para o George Clooney que só ele e o Walt Disney tinham indicações ao prêmio em seis categorias diferentes*. O George Clooney, cheio de humor respondeu "Então agora vou criar a Clooneyland.".

Todas sonham com Clooneyland.

Então, para ajudar o George nessa empreitada, decidi jogar algumas idéias na nuvem.

O George Clooney é um cara legal, divertido, todo mundo gosta dele, é um querido em Hollywood e no mundo. Além disso é engajado em causas socias e tenta fazer um mundo melhor usando a sua imagem. Ao contrário do Walt Disney que tem sei-lá-quantos-mil personagens para explorar em brinquedos temáticos ad aeternum, o George Clooney só tem alguns poucos que ele interpretou no cinema e tv. Acontece que desafio vocês a lembrarem do nome de pelo menos UM personagem que ele fez. Para mim ele é George Clooney em todos os filmes (e isso não quer dizer que ele seja mau ator, pelo contrário ele é muito bom!).

Confesso que quando ele falou Clooneyland a primeira imagem que veio an minha mente poluída foi Magic Mike, mas depois, pensando melhor, George é um cara de classe, chic, cool, intelectual, provavelmente a terra dele estaria mais para um conjunto de museus didáticos e divertidos.

O que não impede uma montanha russa aqui e uma atração mais adulta ali....

Para o terreno, ele poderia comprar as casas vizinhas do Lago Como na Itália, cada uma pode ser dedicada a um tema, a vista é linda, e vamos combinar que George já é local do lago. Se bem que a Itália já tem atrações suficientes. Acho que talvez uma opção melhor seria em algum país africano. George não é megalomaníaco, então uma Clooneyland é suficiente. Claro que todo lucro é destinado as causas socias.

Então vamos a um esboço das atrações:

- George ficou conhecido no mundo como o pediatra bonitão de ER. Essa poderia ser uma montanha russa que simula a chegada de uma ambulância no hospital tendo que pegar pacientes no meio do caminho.

- Uma atração educativa poderia começar com Mar em Fúria, uma exposição com demonstrações sobre os mares e como tormentas e furacões são formados, um pequeno aquário, etc. Depois evoluir para uma dobradinha com Syriana e mostrar extração de petróleo, as consequências dessa exploração exagerada e a vida no deserto como contraste ao mar. Na saída uma exposição sobre guerras.

- O bar do complexo obviamente tem que ser de Um Drink no Inferno, com vampiros. O restaurante pode ter aquele clima bacana do Hawaii de Os Descendentes.

- Up In the Air - passeio de balão.

- Um SPA com Out of Sight.

- Uma atração com teoria da conspiração e para isso temos: Boa Noite, Boa Sorte; Confessions of a Dangerous Mind, Michael Clayton, The Ides of March e Queime Depois de Ler.

- Para crianças poderia sugerir algo na linha de Spy Kids, ou Batman e Robin, mas acho o Fantástico Sr. Fox mas educativo. E uma mini fazenda com animais em homenagem ao porco de estimação do George.

- A atração mais disputada será a dedicada aos 3 filmes dos homens e seus segredos, porque além do George, esses filmes tem Matt, Brad, Scott e Casey (irmão do Ben).

E para terminar a visita não pode faltar o Gift Shop com muitos blu-rays, fotos, toalhinhas, travesseiros tamanho real com George estampado, etc. Bom mesmo seria se inventassem uma vez por todas uma máquina de clonagem e oferecessem um Clooney para levar para casa.



Deixo os comentários para as sugestões de vocês.


* (Clooney: ator, ator coadjuvante, diretor, produtor, roteiro adaptado e roteiro original)

25.2.13

Oscar 2013

Não adianta reclamar, claro que o tempo de transmissão do Oscar sempre será o mesmo, já vendem os espaços de propaganda, então mais curta essa cerimônia nunca vai ser, mas nada impede que seja mais divertida né?

Eu devia ter adivinhado como seria a noite pelo red carpet apagado, cheio de vestidos sem cor e tudo muito correto. Jessica Chastain estava linda, e Charlize Theron ficou muito bonita de cabelo curto. Entre os homens parece que barba é o trend do momento, e claro que o George Clooney mostrou como se faz. Mas análise fashion é com o Rosebud é o Trenó.

Confesso que tinha muitas expectativas com esse Oscar, afinal ia ter o Seth McFarlane apresentando, Jack Nicholson estaria de volta depois de 5 anos vendo em casa, Adele e Barbra Streisand iam cantar, ia ter a homenagem aos 50 anos de filmes do 007, e pela primeira vez vi todos os filmes indicados.

Acontece que, como 500 Dias com Ela nos ensinou, expectativa e realidade são duas coisas diferentes.

De tudo que o Seth McFarlane fez (e o acho um cara super engraçado, muito amor pelo Stewie), eu só gostei mesmo dos fantoches de meia fazendo a queda do avião de O Voo, do Capitão Kirk ter dado as caras e umas três ou quatro piadas. Quando o Daniel Day Lewis faz UMA piada melhor do que todas que o Seth tentou a noite inteira temos que rever os conceitos. Como bem disse o sábio Capitão Kirk "Deixem Amy e Tina apresentar sempre.".

A homenagem aos musicais dos últimos 10 anos só teve a Catherine Zeta Jones cantando o hit de Chicago de bom, porque Jennifer Hudson gritando e elenco de Les Mis sofrendo não foi para mim. Hora do lanche!

A homenagem aos 50 anos de filmes do 007 foi fraquíssima. Só um filminho com um combo dos 23 filmes da série e terminou com uma apresentação da Shirley Bassey cantando o tema do Goldfinger. Só. Gente, todos os 007 estão vivos, será que é tão difícil juntar pelo menos dois deles no palco?? Nem via satélite, ou skype? Nem o Daniel Craig foi. Ainda tinha esperança que aparecessem com Adele cantando Skyfall, mas não aconteceu.

A única que foi de acordo com a expectativa foi Barbra Streisand. Ela entrou no palco depois do In Memoriam, apresentado pelo George Clooney, e cantou a belíssima e oscarizada The Way We Were (que todo mundo chama de Memories), composta pelo Marvin Hamlisch que morreu ano passado. Quase deu para escutar ela dizendo "É assim que se faz, bitches!".

Agora, a melhor coisa da noite foi a música tema de Tubarão para cortar os discursos longos. Genial. Mantenham essa idéia, e, se quiserem, o tema de Psicose também funciona.

A premiação foi assim: Django levou melhor ator coadjuvante com o Christopher Waltz e o Tarantino e seu roteiro original. As Aventuras de Pi ganhou efeitos especiais (na verdade foi um Oscar para o tigre né?), trilha sonora, fotografia (belíssima) e direção para Ang Lee. Les Miserables conseguiu mixagem de som, maquiagem e uma das barbadas da noite: Anne Hathaway levou sua estatueta de atriz coadjuvante. Anna Karenina ficou com o melhor figurino, e o excelente A Hora Mais Escura teveque dividir mixagem de som com o também ótimo Skyfall. Adele, obviamente, levou o Oscar dela. Filme estrangeiro foi Amour, zero surpresa aí. Brave foi o melhor longa de animação e o fofo Paperman o melhor curta. Lincoln ficou com desenho de produção e melhor ator para Daniel Day Lewis, outra barbada. Jennifer Lawrence, J.Law para os íntimos, a nova queridinha de Hollywood, tropeçou a caminho do seu primeiro Oscar por Silver Linings Playbook, mas sempre com classe (J.Law, tem que repensar esses vestidos hein?).

E chegamos a Argo. Os leitores do blog sabem que sou #TeamArgo desde do início, sempre foi meu preferido. Achei que tinha perdido a chance quando não indicaram o Ben Affleck para melhor diretor, mas pensando bem, é um excelente thriller sobre como o cinema também salva vidas e não tem nada que Hollywood goste mais do que ser reconhecida por ter feito algo importante. Argo ganhou: melhor roteiro adaptado, edição (realmente maravilhosa, mantém a tensão) e melhor filme. Teve a estatueta final apresentada por Jack Nicholson (que deve ter se arrependido de sair de casa) e ninguém menos que Michelle Obama direto da Casa Branca. Ben Affleck e George Clooney, barbados e lindos, subiram no palco, Ben fez um discurso emocionado e podia ter terminado aí.

Mas não.

O Seth McFarlane achou que merecíamos mais uma musiquinha. No, thanks.

Até ano que vem. (a gente reclama, mas gosta)


21.2.13

Analisando a música: Kiss From a Rose (Seal)

A pedidos da Thea vamos ver o que o Seal tem a dizer sobre beijos e rosas.

Seal é um londrino filho de nigerianos e neto de brasileiro. Seal fez bastante sucesso no início dos anos 1990 com sua voz macia, até fui a um show dele conhecendo só o hit Crazy e gostei muito. Depois do show meu conhecimento das músicas dele aumentou para 4 canções. Não acompanhei a carreira do Seal, para mim, ele agora é o marido da Heidi Klum (ainda é?).

Crazy (que tem o ótimo refrão "we're never gonna survive unless we get a little crazy". FATO.) foi lançada no mesmo album com Future Love Paradise e, outra música que conheço, The Beginning.

Kiss From a Rose é de 1994 e só virou sucesso depois que foi incluída na trilha sonora de Batman Forever de 1995 (com o Val Kilmer magro e Nicole Kidman sem botox). Ganhou Grammy de melhor música, gravação e vocal pop masculino.

Nos forums de significados de músicas sempre tem um psicopata com alguma teoria da conspiração sobre como tal música é sobre drogas. Acredito que a maioria das músicas está aberta a várias interpretações, por isso gosto de fazer as análises e dar a minha opinião porque, se bobear, até Atirei o Pau No Gato deve ser sobre o vício no crack e a Dona Xica é o traficante.

Acontece que com Kiss From a Rose foi quase uma unanimidade entre os palpiteiros de plantão que essa música era sobre o vício do Seal na cocaína. E olha, quase me convenceram, especialmente na parte "you are my power, my pleasure, my pain" e com palavras como, pill, snow e addiction, mas estou me adiantando. Como não sei nada da vida pessoal do Seal (além dele ser casado com a Heidi Klum e ter tantos filhos quanto o casal Brangelina) e vício geralmente não é uma coisa boa, prefiro achar que essa é uma música sobre outra obsessão: a pessoa amada.

Pelo menos não é sobre fim de relacionamento. Ou é? Vamos descobrir.

Kiss From a Rose é quase uma valsa tanto que já foi dançada nesse ritmo no So You Think You Can Dance. E valsa sempre é romântica.

There used to be a greying tower alone on the sea
You became the light on the dark side of me
Love remained a drug that's the high and not the pill
But did you know, that when it snows
My eyes become large and the light that you shine can be seen

Começa com uma historinha sobre uma torre cinzenta no meio do mar, que deve ser ele num momento de solidão, mas a pessoa amada é a luz antídoto dessa escuridão toda. "O amor é a droga que embriaga e não desagrada"(the pill é uma coisa chata, desagradável, ruim de engolir que nem o Zagalo). Aí vem o inverno e mesmo no meio da neve ele abre o olho e consegue ver a luz da sua paixão, que pelo jeito deve ser um holofote, mas vamos manter o romance né? Ou seja, ela o faz se sentir melhor.

Baby, I compare you to a kiss from a rose on the grey
The more I get of you the stranger it feels
Now that your rose is in bloom
The light hits a gloom on the grey

E ela é o beijo da rosa no cinza. Oi? Tem muitas pessoas que acham que ele fala grave, que é túmulo, mas, depois de olhar os sites de letras de música, todos concordam em grey (igual os 50 tons). Eu acho que o significado disso é que ela traz alegria, cor, para a solidão dele, e delicada como um beijo. Na sequência ele diz que quanto mais recebe dela, mais estranho é (mas deve ser uma coisa boa), a rosa está desabrochando (que para uma mente poluída _o/ pode signifcar muita coisa) e a luz atinge a tristeza/melancolia/trevas do escuro. (Seal, eu gosto da cor cinza. #justsaying)

There is so much a man can tell you, so much he can say
You remain my power, my pleasure, my pain
To me you're like a growing addiction that I can't deny
Won't you tell me, is that healthy baby?
But did you know, that when it snows
My eyes become large and the light that you shine can be seen

"Um homem pode contar e dizer tanta coisa" ele quer expressar todo amor e manda o já clássico "você permanece meu poder, meu prazer e minha dor" (que em inglês é bem melhor). Ela pode dar a ele o maior prazer e maior sofrimento tudoaomesmotempoagora. Ele sabe que é um vício (obsessão) crescente e questiona se é saudável. Não Seal, saudável não é, mas é emocionante e é isso que interessa porque quando neva você vê a luz. Ai que lindo!

Baby, I compare you to a kiss from a rose on the grey
The more I get of you the stranger it feels
Now that your rose is in bloom
The light hits a gloom on the grey

O refrão outra vez com o beijo da rosa.  Cinza também é tudo que está entre o preto e o branco, então nada é definido, tudo pode acontecer, inclusive a felicidade que é o clarão que bate na parte mais escura do cinza. #filosofei

I've been kissed by a rose on the grey
I've been kissed by a rose on the grey
And if I should fall will it all go way?
I've been kissed by a rose on the grey

Ele recebe o beijo da rosa, repete como um mantra de felicidade, mas preocupado que se vacilar tudo acaba. Bem, ele já disse que ela é o prazer e a dor, então aproveita o beijo, a neve, a luz, a rosa desabrochando....

There is so much a man can tell you, so much he can say
You remain my power, my pleasure, my pain
To me you're like a growing addiction that I can't deny
Won't you tell me, is that healthy baby?
But did you know, that when it snows
My eyes become large and the light that you shine can be seen

Baby, I compare you to a kiss from a rose on the grey
The more I get of you the stranger it feels
Now that your rose is in bloom
The light hits a gloom on the grey

Aí ele repete tudo e nessa segunda vez, quando ele termina de dizer "my power, my pleasure, my pain", a música faz uma pausa rápida e tem uma batida de coração inserida, ou seja, coisa séria, sentimento forte. E insiste na dúvida: esse vício crescente é saudável? Poxa Seal, depois desse quase ataque cardíaco no meio da música você ainda pergunta? Mas, olha, o coração continua batendo então aproveita o beijo da rosa e vai ser feliz.

Vamos sensualizar com o Seal nesse video com cenas do Batman Forever.




20.2.13

+Séries

Na leva de séries novas não falei de duas que na época ainda não tinham estreado, então aqui estão:

The Following
O Kevin Bacon faz um agente do FBI que prendeu um serial killer muito esperto, fã de Edgar Allen Poe, mas não sem graves consequências como um marca passo e ser desligado da força. Dez anos depois o serial killer, Joe Carroll (James Purefoy sempre over the top), foge da prisão e volta tocar o terror matando mocinhas.
O FBI chama o Kevin Bacon para resolver o problema e tentar salvar a única mulher que não morreu nas mãos do Joe e proteger a ex-esposa do serial killer (que teve um caso com o Kevin Bacon).
O Kevin pega o Joe mas é aí que descobrimos que o buraco é mais embaixo. Nos anos de prisão com acesso a internet, o Joe consegue criar uma rede de seguidores fiéis, maníacos, aprendizes de psicopata, que dão início ao plano bolado pelo serial killer. Gente como o guarda da prisão que ajuda o Joe a fugir, a babá do filho dele, o casal gay vizinho da última vítima e muito mais que ainda vai aparecer. Não sei se o Kevin Bacon tem fígado para aguentar tudo, mas a coisa está andando bem especialmente quando mostram Kevin Bacon e Joe debatendo ideias e os seguidores.

The Americans
Felicity e seu marido (Matthew Rhys) são espiões russos infiltrados no american way of life na década de 1980. A reconstituição de época é muito boa e até dá para sentir toda a tensão e medo que os americanos tinham (?) dos russos. Eles foram escolhidos pela KGB ainda na extinta USSR para formar um casal, não podiam nem falar russo entre si. O que a mãe Russia manda se faz, então tiveram filhos e vivem nos burbs de Washington DC trabalhando de fachada numa agência de turismo.
É aí que entra o novo vizinho e agente do FBI que está justamente perseguindo tais espiões.
O primeiro episódio é muito bom, uma trilha sonora fantástica, e até já sabemos quais as posições dos protagonistas, mas ainda tem muito para descobrir: Felicity ama a motherland acima de tudo (menos dos filhos) e o marido é simpático ao modo de vida americano e suas facilidades. Eles vivem uma fachada que se tornou real mas que ainda é uma fachada. Deu para entender?


Community voltou para nossa alegria.

Voltei a ver The Office na sua última temporada e estava achando tudo muito bom até o Andy voltar do passeio de barco (ele andou sumido por vários episódios, os melhores, claro). O Andy me fez desistir da série, mas como só faltam poucos episódios para o fim não vou abandonar o Dwight, Jim e Pam.

Girls fez um episódio diferente nessa temporada. Só a Hannah com o bonitão do Patrick Wilson na casa dele com muitas cenas sem roupa. Foi quase um curta metragem e rendeu polêmica porque tem gente (que não sabe de nada) que acha que a Hannah nunca ia conseguir pegar um cara como o Patrick Wilson.

Em janeiro me despedi de Fringe e da excelente 30Rock. Liz Lemon e cia vão deixar saudades e o episódio final teve tanta coisa boa que é difícil destacar uma. I want to go to there.

Das novas que falei no outro post, Banshee continua interessante (apesar de muito violenta e quase um soft porn), Ripper Street é muito boa, pena que são só 8 episódios, e Deception é ruim.

17.2.13

Book Report: Building Stories - Chris Ware


É uma ideia comum (e um certo preconceito) dizer que histórias em quadrinhos são para crianças, adolescentes, nerds e geeks. Claro que muitos de nós começamos o hábito da leitura por essas histórias desenhadas e depois concentramos só no que está escrito. Hoje, os quadrinhos, ou graphic novels para ser mais justa (novelas gráficas?), não são só sobre superheróis, brigas entre crianças, aventuras na roça, etc. Existe todo um mercado adulto que vê os desenhos não como uma forma de facilitar a visualização da história mas como parte da própria, além de uma arte incrível.

Gosto muito de graphic novels (e de quadrinhos também), como não sei desenhar aprecio quem sabe se expressar bem usando formas e cores, além dos detalhes sempre bem colocados em cada frame.

Tudo isso para falar de uma unanimidade em todas as listas de melhores livros de 2012: Building Stories do Chris Ware. Já tinha ouvido falar no Chris Ware, mas ainda não tinha lido/visto nada dele, esse livro foi uma ótima escolha.

Building Stories não é só uma leitura, é uma experiência. Começando pelo tamanho da caixa: enorme. Dentro da caixa vem 14 itens que vão desde panfletos, jornais, livretos a plantas baixas. Não tem instruções de por onde começar, e a única sugestão que o autor faz é de onde deixar alguns itens pela casa para que você possa ir lendo.

um livro normal para comparar o
tamanho da caixa

A ideia é essa mesmo: construir a história, é quase um jogo. E cada pedaço fornecido se encaixa no fim. O livro, de uma forma geral, conta a história da vida uma moça que tem meia perna amputada e mora em Chicago. Somos apresentados a infância, adolescência, anos na faculdade, anos que morou só, e sua família, com todos os dramas pessoais e filosóficos. As vezes é ela que nos conta o que está acontecendo, outras vezes é a vizinha, outras é o prédio (sim, o prédio tem impressões sobre seus moradores). Ainda conhecemos a vizinha idosa, o casal que briga muito, o ex-namorado sem noção e a amiga depressiva. A vida como ela é.


Chris Ware ainda teve tempo de desenvolver a história da abelha Branford que é genialmente contada usando palavras com B sempre que possível. O traço dele é realista, colorido e cheio de detalhes.

Eu decidi ler do menor para o maior. No fim concluí que realmente não importa muito a ordem, mas alguns pedaços podem conter spoilers leves de outros.

até na caixa tem pedaço da história

11.2.13

Carnaval começou

Uma das coisas que mais gosto de ficar em Fortaleza durante o carnaval é que essa é uma das cidades mais tranquilas no período. Bem, era. Agora tem blocos de rua, show na praia, o maracatu (esse sempre teve), shopping lotado, praias cheias e muitos e muitos turistas, mas ainda está longe se ser um destino para quem gosta de folia.

Então, o meu carnaval começou no sábado com uma festinha animada na casa de amigos com trilha sonora nada carnavalesca, só muito rock e pop.

Domingo é dia de ver as escolas de samba na tv (que é muito chato, mas a gente gosta de reclamar nas redes sociais) e de bonus ainda teve o Grammy. O controle remoto trabalhou um bocado.

No primeiro dia de desfiles a minha escola preferida foi a Unidos da Tijuca que, além de ser o bairro querido da Tia Helô e Luizinha, veio com Thors na comissão de frente, uma ala de bolo de chocolate e um carro com tulipas de chopp. Como não amar?




Entre uma ala e outra assisti o Grammy. Premiaram a esforçada Kelly Clarkson, os chatinhos do Fun, o rock do Black Keys, o Gotye hipster,  os ingleses folk do Mumford & Sons levaram melhor album do ano (e é bom mesmo), e até criaram uma categoria para dar uma estatueta para o Frank Ocean, merecida, mas alguém por favor me explica o que diabos é Urban Contemporary? A Adele levou mais um Grammy por sua performance de Set Fire to the Rain (esse album 21 rendeu hein?), a música de Av. Brasil. #SaudadesCarminha Teve o Justin Timberlake sensualizando no palco com música nova e um medley em homenagem ao Bob Marley com Sting, Rihanna, Bruno Mars e Ziggy Marley (todos ilhéus: Grã Bretanha, Barbados, Hawaii e Jamaica, gostei.)

O Red Carpet do Grammy é tão colorido quanto um desfile de fantasias porque músicos gostam de ser excêntricos. Eu gostei do maiô preto de uma perna e um braço da J.Lo e não curti a fantasia de abajur da Adele.


A última escola de samba que vi foi o início da Mocidade que trouxe o Rock como tema e o Serguei de destaque num carro alegórico.

O trauma da noite ficou por conta do Dr. Rey e Inês do Brasil. Ano passado o Dr. Rey foi a sensação do carnaval na tv com sua total falta de noção onde ele tentava analisar clinicamente plásticas ou não. Esse ano repetiram a dose, mas não contavam com a Inês do Brasil. Não sabe quem é? Ela conseguiu deixar o Dr. Rey constrangido. I rest my case.

E para abalar as estruturas da igreja católica o Papa renunciou o cargo liberando uma enxurrada de piadas no twitter que me fez rir a manhã inteira.

Vamos ver o que acontece até a quarta de cinzas.

8.2.13

Analisando a música: Don't Stop (Color On The Walls) - Foster the People

Propaganda é a alma do negócio, e quando é bem feita então..... rende para todos os lados. Essa semana a H&M colocou o video da nova linha de roupas de baixo. O filme foi dirigido pelo Guy Ritchie e é bem simples: David F**king Beckham correndo por Beverly Hills só de CU-E-CA! (Pausa para ver o video pela 153673748ª vez) Por que ele está correndo só de cueca? Who cares?? Só de ver o Beckham lindão correndo já me faz querer ir na loja comprar cuecas sei-lá-para-quem, mesmo que não vá ficar tão bem quanto no jogador. (KD a H&M no Brasil?) Vamos combinar que poucas pessoas conseguem correr sexy e com classe tudoaomesmotempoagora.

Anyway, o video no mute já é uma maravilha, mas nada como uma boa trilha sonora para reforçar a imagem e o Beckham corre ao som dessa música do Foster the People. (Essa música também foi usada no comercial de um carro, provavelmente com menos efeito do que o Beckham correndo)

A banda é nova, são garotos de Los Angeles que se juntaram em 2009. Eles são pop/rock/indie e o primeiro album (e único até agora), o ótimo Torches (2011) é um sucesso. Desse album saiu Pumped Up Kicks, Houdini, Helena Beat, e a analisada da vez: Don't Stop (Color on the Walls).

Li em algum lugar que o Mark Foster (líder da banda) trabalhou escrevendo jingles, o que faz muito sentido.

Don't Stop pelo jeito é um ótimo título de músicas boas, no meu iPod contei 5 além da analisada da vez: Don't Stop do Fleetwood Mac (música pós-fossa animada), Don't Stop Me Now do Queen (adoro!), Don't Stop Believin' do Journey, Don't Stop Till You Get Enough do Michael Jackson (classic), e Don't Stop the Dance do Brian Ferry (anos 1980).

Então vamos saber o que o Foster the People não quer parar e qual é a das cores na parede.

Walk little walk
Small talk big thoughts
Gonna tell them all just what I want
That street, two streets, I see you and me
Hanging on the empty swings
Count high low, don't worry my eyes are closed
I'm a Superman and it's my show
One shoe, two, gonna kick with my shoes
I'm gonna kick until I need new shoes

Parece que uma criancinha escreveu a letra dessa música e é isso mesmo. A idéia é o que uma criança de 4 anos faria se dominasse o mundo. A única coisa que tenho em comum com crianças dessa idade é que já fui uma.
Uma coisa é certa: diversão garantida!
A criança já começa falando de passinhos, pouca fala (ou conversa fiada), idéias grandes e já sabendo o que quer. Então vamos brincar nos balanços vazios da pracinha, arriscar um pique-esconde, ela é o Superman (quem nunca foi?), o espetáculo é dela. E vamos chutar até precisar de novos sapatos. (Foster the People, qual é a fixação em chutar? Além de chutes altos em Pumped up kicks, a criança chuta aqui também? Freud explica.)

Yeah, yeah
I said don't stop, don't stop, don't stop
talking to me 
Stop, don't stop don't stop
Giving me things

Criancinha exigente dominando o mundo. Não parem! Nem de falar comigo nem de me darem coisas! (E ai de quem negar. MEDO) Nesse momento da música no video do Beckham ele dobra a esquina e embarca numa corrida que quem grita "don't stop!" sou eu.

I run they run everybody run run
And we're all just having fun
Sleigh ride, boat ride, piggy back ride
I'm going to show them all how I can ride
One two three close your eyes and count to four
I'm gonna hide behind my bedroom door
Crayons on walls, I'll color on them all
I'll draw until I've broken every law

Vamos correr (junto com o Beckham de preferência) e se divertir. Trenó, barco, cavalinho, essa criança faz tudo! E gosta de esconde-esconde. Bom mesmo e riscar todas as paredes, e essa frase final é muito boa: "I'll draw until I've broken every law",  desde novo um artista subversivo. Quem nunca riscou uma parede?


I said don't stop, don't stop, don't stop
talking to me
Stop, don't stop don't stop
Giving me things
Stop, don't stop, don't stop
Laughing about it
Stop, don't stop, don't stop

E não vamos parar! Muito menos de se divertir, porque felicidade é ser uma criança de 4 anos.

O video da música é ótimo! Tem a Precious (Push, a novel by Saphire) arrasando na direção do carro e tocando o terror.




Beckham, pode vir nadar na piscina aqui de casa quando quiser. ;)



PS. Rafael Nadal, é assim que se puxa a cueca tá? #FicaDica

1.2.13

Analisando a música: Let's Have A Kiki (Scissor Sisters)

Scissor Sisters é uma banda carnavalesca e é deles esse 'Analisando a música' pré-festa do Momo. Nada melhor do que uma música que fala de festa e tem batucada. Batucada? Yes!

Scissor Sisters é de uma das bandas de glam rock/indie mais animadas e divertidas. Não sei a origem do nome da banda (nem pesquisei), irmãs tesoura é engraçado, me lembra fofoca e fofoqueiras, mas provavelmente não deve ser nada disso (aposto numa referência ligada a alguma gíria sexual). Anyway, essa banda americana formada em New York City, em 2001, veio para colocar todo mundo na pista balançando o esqueleto.

O primeiro sucesso da banda foi uma versão dançante de Comfortably Numb do Pink Floyd, que é muito boa. Eu só conheci a banda no seu segundo album Ta-Dah (2006), que tem a conhecida I Don't Feel Like Dancing (Elton John tocou piano nessa música #win). Os shows são animados, os videos são coloridos e cheios de coreografias.

Let's Have A Kiki é do album mais recente da banda: Magic Hour (2012). Então vamos tentar entender o que diabos é uma (ou um) Kiki.


What's up, it's Pickles. Leave a Message
Hey, I'm calling you back
Oh, she's been a bitch tonight
And by bitch I mean this rain. No cab, nowhere.
So I had to put on the wig and the heels
And the lashes and the eairh, and take the train to the club
And you know what MTA should stand for:
Mother-f**kas Touching my Ass.
So then I get to the club, 
Looking like a drowned, harassed rat
And I'me greeted, not by Miss Rose ate the door,
But our friend Johnny Five-O
Yes, honey, the NYPD shut down the party
So no fee for me, I don't even know what's the tea
So I hope you're up girl
Cuz we are all coming over
Lock the doors, lower the blinds
Fire up the smoke machine, and put on your heels
Cuz I know exactly what we need

Essa é uma música com historinha. Adoro! O/A Pickles deixou a secretária eletrônica atender escutou o seguinte recado: "Querida, está chovendo pra cacete, nada de taxi, tive que colocar a peruca, cílios e salto e pegar o metrô, fui apalpada (infelizmente, quem nunca? filhos da p...), cheguei na buatchy, toda mo-lha-da que nem um rato afogado, a Miss Rose não estava na porta e no lugar dela adivinha quem? Johnny Polícia (Five-O é um clássico), isso mesmo, barraram a festa, nada de din-din para mim e nem sei qual foi o babado. Então.... espero que você esteja acordada porque estamos a caminho. Tranca as portas, fecha as cortinas, liga a máquina de fumaça (a pessoa que tem uma máquina de fumaça em casa sabe das coisas) e sobe no salto porque sei exatamente do que precisamos!"

Let's have a kiki, I wanna have a kiki
Lock the doors, tight.
Let's have a kiki, Motherfucker
I'm gonna let you have it
Let's have a kiki, I wanna have a kiki
Dive, turn, work
Let's have a kiki
We're gonna serve and work and turn
And h-h-honey

Vamos ter uma kiki (ou fazer um kiki), eu quero uma kiki
Tranca as portas, com força
Vamos fazer uma kiki, porra! (Para ser educada. Na versão light eles falam "take your mother", ou seja, a sua mãe pode ir/fazer/ver um(a) kiki)
Mergulha, vira e trabalha (gírias apropriadas a uma kiki), vamos servir, trabalhar e virar e querida! (se fosse uma kiki cearense seria mulhéééé)

Nesse momento entra uma batida eletrônica com uma batucada que eu duvido alguém ficar sem se mexer.

A kiki is a party, for calming all you nerves
We're spilling tea and dishing just desserts one may deserve
And though the sun is rising, few may choose to leave
So shade that lid and we'll all bid adieu to your ennui

Finalmente a explicação! Kiki é uma FESTA! Numa definição mais abrangente é uma gíria das drags queens que significa qualquer coisa bacana, legal, divertida; de uma ligação com as amigues a uma noite muito boa. Nesse caso é uma festa para acalmar os nervos (afinal a balada original foi barrada), fofocar (sempre!), distribuir recompensas ou castigos a quem merece e comer sobremesa (a expressão certa é "just deserts" e significa "o que merece. uma recompensa por uma coisa boa ou ruim". Deserts nesse caso não é desertos, é pronunciando do mesmo jeito que dessert (sobremesa) e significa o que é merecido, castigo ou recompensa, mas nada como uma festa com doces, né?).
É uma festa até o amanhecer, óbvio, e mesmo que alguns queiram ir embora, é só dar um upgrade no make e dar tchau para o tédio (em francês porque é mais chic).

Let's have a kiki.....

Então vamos fazer uma festa! Vamos rebolar no salto!

Oh, what a wonderful kiki
This kiki is marvelous 

Que kiki maravilhosa! Que festa magnífica!

Kiki, soso, oui-oui, non-non

(momento coreografia seguido do momento vogue)

Let's have a kiki....

Mais festa!


Let's have a kiki, I wanna have a kiki
Lock the doors, tight.
Let's have a kiki, hunty dropper
I'm gonna let you have it
Let's have a kiki, I wanna have a kiki
Boots Ten Queen
Let's have a kiki
We're gonna serve and work and turn
And h-h-honey


No último refrão algumas palavras são trocadas. Hunty dropper, segundo a internet, seria o equivalente a descer na boquinha da garrafa, ou até o chão (a festa está ficando boa!). E Boots, Ten e Queen podem ser 3 pessoas que estão ar-ra-sando na festa.

Que o carnaval seja cheio de kikis!