3.3.13

Momento TOC: Top 7 Diretores e Trilhas Sonoras

Estava assistindo Bastardos Inglórios e decidi fazer essa lista de diretores que sabem escolher uma excelente trilha sonora. Não estou falando da música original composta para o filme, essa eu sei que é entregue a compositores geniais como John Williams, Ennio Morricone, Hans Zimmer, Michael Giachinno, Danny Elfmann, etc. Falo das músicas existentes que são inseridas em momentos chave do filme e fazem toda diferença. Tenho certeza que esses diretores sacam os vinis da estante e escolhem a dedo que música vai tocar.

7- Martin Scorsese - No início de Os Infiltrados um garotinho entra correndo numa loja e lá vem Jack Nicholson ao som de Gimme Shelter dos Rolling Stones, ali pensei "Tio Martin sabe das coisas.". Um pouco mais na frente ele coloca Comfortably Numb do Pink Floyd para um Leo DiCaprio visivelmente vunerável e tive certeza que ele tem uma coleção gigantesca de discos (além de filmes) em casa. Não a toa foi ele que dirigiu Shine a Light, o documentário dos Rolling Stones, e também o video de Bad do Michael Jackson. As trilhas de Goodfellas, Touro Indomável, Casino; New York, New York; Cabo do Medo, O Aviador, são todas muito boas. Old School.

6- Sofia Coppola - Ela é filha do cara que usou Cavalgada das Valquírias de Wagner na cena dos helicópteros em Apocalypse Now. Deve ser genético e Sofia sabe fazer a música funcionar nos seus filmes. No primeiro filme, o ótimo As Virgens Suicidas, ela vem de cara com Styx, 10CC, Al Green, Heart, Carole King, os canadenses do Sloan e um clássico da depressão: Alone Again (Naturally) do Gilbert Sullivan.  Em Lost in Translation até o que cantam no karaokê é escolhido a dedo, a trilha sonroa é variada com Pretenders, Just Like Honey do Jesus & Mary Chain na cena final, Chemical BrothersBryan Ferry, Phoenix e música japonesa. Maria Antonieta foi um filme de época com músicas modernas, a maioria da década de 1980, New Order, Siouxsie and the Banshees, Plainsong do The Cure na coroação, Bow Wow Wow, e até The Strokes. E Somewhere, apesar de ser o filme dela que menos gostei não posso negar que a trilha é escolhida a dedo, a cena da piscina com I'll Try Anything Once do The Strokes é linda (e ainda tem The Police, Foo Fighters e KISS).

5- Wes Anderson - A trilha sonora do The Royal Tenenbaums é fantástica, o início do filme é com Hey Jude dos Beatles de fundo enquanto a história da família é narrada, tem Me And Julio Down By The Schoolyard do Paul Simon na cena do avô fazendo travessuras com os netos, tem She Smiled Sweetly do Rolling Stones, Judy is a Punk dos Ramones, Rock the Casbah do The Clash, Velvet Underground, Nico, e muita coisa boa. Rushmore tem The Kinks, The Who, Rolling Stones, Cat Stevens e Yves Montand (oi?).  O Fantástico Mr. Fox tem Street Fighting Man dos Rolling Stones, óbvio. A Vida Aquática de Steve Zissou tem o Seu Jorge cantando hits do David Bowie em português, mesmo não gostando muito achei a ideia inusitada. The Darjeeling Limited tem a estranha Were Do You Go To (My Lovely), a animada This Time Tomorrow e a francesa Champs Elysees.

4- David Fincher - Veio do mundo dos video clipes, dirigiu os melhores da Madonna (Bad Girl, Express Yourself, Oh Father e Vogue), Freedom do George Michael e Love is Strong dos Rolling Stones. Podemos concluir que de música e imagem ele entende. O fim de Clube da Luta é ao som de Where is My Mind do Pixies e os créditos iniciais de The Girl With The Dragon Tattoo é com a sensacional versão de Trent Reznor de Immigrant Song do Led Zeppelin. The Social Network tem California Uber Alles dos Dead Kennedys e Baby, You're a Rich Man dos Beatles. Seven tem Closer do Nine Inch Nails e fecha com The Heart's Filthy Lesson do David Bowie. I rest my case.

3- Baz Luhrman - O primeiro filme do Baz Luhrman, Strictly Ballroom, é sobre dança de salão e trouxe Love is in The Air de volta as pistas, além de Perhaps, Perhaps, Perhaps na voz de Doris Day. Depois veio Romeo+Juliet com texto original do Bardo e músicas modernas: tem Lovefool dos Cardigans, When Doves Cry, a divertida Young Hearts Run Free, e a bonita Kissing You na cena do aquário. Aí Baz vem com o fantástico Moulin Rouge, um musical com músicas conhecidas, que tem tanta canção boa que nem sei qual a minha preferida: a versão de Like a Virgin da Madonna, Your Song, o Medley do Elefante ou o incrível tango feito de Roxanne do Police. Australia não teve uma trilha marcante, mas o próximo filme promete. O trailer de The Great Gatsby com a intensa No Church in the Wild, de Kanye West e Jay Z, junto com Love is Blindness do U2 num cover do Jack White já me deixou curiosíssima com o resto da trilha sonora desse filme.

2- Cameron Crowe - Crowe começou sua carreira de diretor com Say Anything (1989), aquele filme que o John Cusack vai na porta da casa da menina com aquele aparelho de som portátil enorme e toca Peter Gabriel, ou seja, começou bem. Foi em Singles que comecei a reparar que o Cameron Crowe tinha esse talento especial, afinal um filme com Pearl Jam (adoro!), Mudhoney, Smashing Pumpkins, Mother Love Bone, Pixies, REM, The Cult, já me ganhou (tive minha fase grunge). Aí ele veio com Jerry Maguire, que não tem músicas que chamam muito atenção (nem acho que era intenção), mas a trilha é muito boa. Quase Famosos é a cobertura do bolo, aqui ele colocou todo seu conhecimento do rock dos anos 1970 e a trilha sonora desse filme é maravilhosa. Ele meio que desenterrou Tiny Dancer do Elton John do fundo da vitrola e o criou a cena clássica do ônibus (nessa mesma trilha tem a bonita Mona Lisas And Mad Hatters, também do Sir Elton). Vanilla Sky tem uma trilha muito boa com música desde os anos 1960 até Wild Honey do U2  e Everything In It's Right Place do Radiohead que tinham sido lançadas no ano anterior, Cameron é atualizado. O último filme dele que vi (sem ser o documentário do Pearl Jam, que obviamente é maravilhoso #soufã) foi Elizabethtown que tem uma trilha eclética e muito melhor do que o filme (tem outra música pouco conhecida de Sir Elton: My Father's Gun).

1- Quentin Tarantino - Gênio. As trilhas sonoras são tão boas que funcionam até sem o filme, e ele casa música e cena como poucos.Tarantino tem o talento de exumar músicas esquecidas, assim como ele faz com os atores. Além disso, ele consegue mixar tudo isso com trilhas instrumentais fantásticas e ainda descobre pop japonês e música folclórica alemã. Em Reservoir Dogs tirou Stuck in The Middle With You do limbo. Em Pulp Fiction, além de Girl You'll Be A Woman Soon, tem também a clássica cena do twist com You Can Never Tell do Chuck Berry. Muito amor pela trilha de Jackie Brown. As vezes acho que o Tarantino pensa "Preciso escrever um filme para essa música!", só isso para explicar Bang Bang (My Baby Shot Me Down) da Nancy Sinatra na excelente trilha de Kill Bill, que ainda tem Malagueña SalerosaPlease Don't Let me Be Misunderstood (versão Santa Esmeralda) na linda cena na neve e A Satisfied Mind do Johnny Cash. Em Bastardos Inglórios Tarantino escolheu Cat People do David Bowie para explodir Hitler e muito Ennio Morricone. No recente Django Unchained a deliciosa trilha é puro western spaguetti, também tem coisa mais recente e Tarantino até compôs uma música, mas a desenterrada da vez foi I Got A Name que me peguei cantando um refrão no meio do cinema que eu não tinha ideia que sabia. Mal posso esperar o próximo filme dele.


Extras: Paul Thomas Anderson que usou Wise Up de forma genial em Magnólia e a trilha de Boogie Nights. Danny Boyle pela excelente trilha de Trainspotting. E, como o Ney me lembrou, Pedro Almodovar pelo conjunto da obra.


3 comentários:

  1. Pesquisa de profissional. Meu preferido é o Quentin Tarantino. Muito Bom.

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  2. Adorei todos os diretores e suas observações. Sem dúvida, P. T. Anderson é o melhor momento musical em um filme não musical. Como sempre, quando você fala de música, torna-se fenomenal!

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  3. @José Francisco, assim eu fico tímida. :) bjo!

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