15.7.16

Book Report: A Little Life - Hanya Yanagihara

Esse ano não estou lendo tanto quanto gostaria. Não sei o que aconteceu mas até agora só li quatro livros, é muito pouco. Vou culpar a Netflix, mas isso fica para outro dia. Acontece que comprei um kindle novo (o antigo ainda está bom, mas queria um menor) e agora vou me dedicar mais. Xô maratonas de séries.



Confesso que não compraria esse livro pela capa (mas depois de ler fez sentido, e tem outras capas), mas me foi sugerido insistentemente pela Amazon, depois li o post da Helô sobre o livro e fiquei curiosa. É o primeiro livro no kindle novo. Saiu aqui no Brasil como Uma Vida Pequena.

Adianto que esse foi o livro mais deprimente que já li. Não é ruim de jeito nenhum, mas é muito triste mesmo, do tipo que você fica um pouco arrasada durante a leitura e depois também. Sim tem momentos leves, até alegres mas quando você acha que as coisas vão talvez melhorar um pouco PAH! tapa na cara.

O livro é sobre quatro amigos desde que saem da universidade, vão morar em NYC e os acompanha até seus 50 e poucos anos. Cada um dos amigos tem sua característica: o artista com personalidade forte, o bonito e gentil, o rico e prático, e o inteligente e calado. Algumas pessoas do forum relacionaram esse livro com é With A Little Help From My Friends dos Beatles, acho justo.

A amizade entre os personagens é bonita. São pessoas diferentes, de backgrounds diversos e que de alguma forma naquele espaço e tempo se encontraram e mantiveram a amizade ao longo dos anos. E é daquelas amizades fortes mas que permite agregados que vão aparecendo ao longo da vida. Assim outros personagens importantes surgem.

A história na verdade gira em torno do Jude, o inteligente calado. Dos 4 é o que teve uma infância misteriosa que nos é contada em pedaços ao longo do livro. E não foi fácil. Ainda bem que o passado misterioso do Jude é colocado aos poucos em camadas dentro da narrativa misturando com o presente igualmente dramático. Se fosse tudo de uma vez o leitor ia passar três dias em posição fetal traumatizado depois de cada página.

O personagem que mais gostei foi o Willem, o bonito e gentil. Ao contrário do Jude, que mesmo entendendo seus problemas me irritava muito, o Willem era uma pessoa aberta e flexível mas que também teve seus problemas.

(vou deixar a parte com spoilers nos comentários)

Gostei muito da narrativa do livro. A história é contada por vários pontos de vista e isso deixa a leitura mais interessante, mesmo porque as vezes eu demorava um pouco para saber quem estava contando aquela parte. A leitura flui, e em muitos momentos os problemas dos personagens são quase palpáveis. As descrições são precisas (algumas as vezes excessivas, too much information). São 700 páginas e a autora nos mantém curiosos e interessados em saber o que aconteceu e o que vai acontecer.

Poderia ter algumas páginas a menos e alguns diálogos melhores (haja pedidos de desculpas nesse livro). Não é uma história muito feliz, mas vale a leitura e a experiência.


(Esse livro em alguns pedaços me lembrou o excelente As Incriveis Aventuras de Kavalier e Clay, mas não é tão bom quanto. Sorry Hanya.)






Um comentário:

  1. SPOILERS a seguir.

    Avisei.

    O Jude teve uma infância e adolescência traumática, cheia de abusos (sexuais e psicológicos). Ele consegue dar a volta por cima, sobreviver, e se tornar um advogado de prestígio, mas, por causa desse passado de promiscuidade involuntária, o Jude tem muitos problemas de saúde. Os amigos o amam de verdade e fazem tudo por ele, não sabem do passado do Jude, mas sabem que ele é, de certa forma, frágil.
    O Jude não confia em ninguém, é complexado, vive se desculpando e acha que todos vão abandoná-lo em algum ponto, mesmo que todos demonstrem o tempo todo que ele é amado.
    Jude tenta se matar por simplesmente não aguentar mais o sofrimento (físico e psicológico). Por um erro de comunicação ele é salvo e seus amigos ficam constantemente o vigiando para que ele não tente outra vez. Praticamente um bullying anti suicídio.
    Tem uma parte do livro que é chamada de Happy Years e de feliz tem muito pouco. Jude e William se juntam, o Willem o ama muito e topa tudo, inclusive a dificuldade que deve ser amar tanto uma pessoa que quer se matar constantemente. E o coitado do Jude tenta segurar seu desejo de se matar porque ele também ama o Willem, ou seja, uma relação ao mesmo tempo estranha e interessante e deprimente.
    Passei boa parte do livro pensando "Deixa ele se matar.". O sofrimento dele era maior em ficar vivo para não decepcionar as pessoas queridas, e essas pessoas o pressionavam indireta e diretamente ("me prometa que não vai mais fazer isso"). Ninguém deixava ele ir e ele não entendia porque gostavam tanto dele.
    Momento filosófico:
    O suicídio é um tabu, mas se afinal temos o livre arbítrio sobre nossas vidas por que é tão difícil aceitar que alguém decida terminá-la quando quer (independente do motivo)? Fora os os motivos religiosos (que por sinal nenhum é abordado nesse livro, hora nenhuma dizem ser pecado) e o tal o instinto de sobrevivência, por que?
    Os amigos/familia do Jude se esforçam para que ele fique vivo, mas acho que mais porque eles sentiriam muita falta do Jude. É muito difícil se colocar no lugar do outro e saber como o outro se sente, é mais fácil basear em si mesmo. Nesse livro o Jude sofreu abuso a vida inteira (além de outras tragédias), inclusive quando quis morrer e não deixaram.
    No fim ele consegue. Ufa. Era inevitável.




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