8.10.17

+Filmes

Blade Runner 2049



O primeiro Blade Runner é de 1982 mas a história se passa em 2019. É baseado no livro do Philip K. Dick Do Androids Dream of Eletric Sheep? (ótima pergunta). O filme tem algumas linhas gerais do livro mas é bem diferente.

No primeiro filme o Harrison Ford faz Deckard, um caçador de andróides (como no título nacional), uma espécie de policial que vai atrás de replicantes fugitivos para "aposentá-los". Nesse futuro distópico, os andróides foram criados para trabalharem nas colônias fora do mundo em funções perigosas e como escravos mesmo. São robôs cópias perfeitas de seres humanos (por isso são chamados de replicantes) mas com tempo de vida de 4 anos. Acontece que os replicantes adquirem uma certa vontade de viver e de "ser mais humano que humanos", fazem uma revolução e são proibidos na Terra. Alguns conseguem fugir e vem para Terra buscar uma solução para o seu problema de vida de 4 anos. Aí acontecem muitas conversas filosóficas em Los Angeles no meio de um cenário distópico, escuro e que chove muito.

No fim desse primeiro filme (spoiler?) Deckard vai embora com a Rachael para um futuro indefinido.

De 2019 para 2049 a Tyrell (empresa que fabricava os replicantes) faliu, teve um blackout e os novos replicantes são menos filosóficos e mais trabalhadores. Só que ainda existem alguns modelos antigos circulando (que tiveram tempo de vida indefinido além dos 4 anos), ainda estão a fim de uma revolução e são perseguidos. E é nesse Blade Runner 2049 que o K (Ryan Gosling) trata de ir atrás deles, na mesma Los Angeles distópica, escura e com neve.

K também é um replicante, a gente fica sabendo disso no início do filme (ao contrário do Deckard do Harrison Ford que até hoje discutem se ele é ou não um robô). K é um modelo mais novo que sabe que suas memórias foram colocadas ali (ou não).

K descobre um corpo enterrado que gera um mistério e ele passa o filme juntando as peças do quebra-cabeça. Entre uma investigação e outra ele passa tempo com Joi, uma espécie de sistema operacional igual no HER, mas que tem um holograma.

Jared Leto faz o Wallace, que é o novo criador e produtor de replicantes. Ele comprou a Tyrell e desenvolveu novos modelos, mas ele quer saber como pode aumentar essa produção e o segredo está no que o K achou. Ele tem um braço direito, a Luv, que é super eficiente.

O Deckard aparece, isso não é spoiler porque ele está no cartaz do filme. Harrison Ford retoma o ranzinza Deckard muito bem e todas as ligações com o primeiro filme são feitas.

Aliás, esse Blade Runner 2049 é um filme para os fãs. A gente agradece. A fotografia magistral (como definiu um amigo) respeita a original e ao mesmo tempo a deixa mais atual. O design de cenários é sensacional. É o filme mais bonito que vi esse ano, cada frame é um flash.

O som é muito bom. Falaram muito da falta da trilha do Vangelis, mas para ser sincera lembro que era cheia de sintetizadores e lembro muito daquela música de depois virou tema de abertura do Fogo No Rabo (Tv Pirata, sim sou velha). A trilha do Hans Zimmer é um pouco mais pesada, mas é muito boa.

É para ser visto no cinema, numa tela grande com som bom.

Eu gostei muito desse filme, achei longo, mas é lindo de ver.

Acho que nós humanos temos que pensar bem ao criar inteligência artificial e androides tão parecidos conosco. O que Blade Runner (A.I., HER, Ex-Machina e outros) mostra é que eles vão ganhando humanidade a medida que nós vamos perdendo. Tem muita gente que não gosta de ficção científica mas depois não vem reclamar que ninguém avisou quando o mundo for dominado por macacos.

A Tia Helô ia ficar muito confusa com esse negócio de replicantes, só mais gente falsa para ela ficar desconfiada. 317 "Ai, Jesus!" para o caçador de andróides.



Kingsman: Circulo Dourado

Achei o primeiro filme divertido então fui ver essa segunda aventura do Eggsy e seus amigos Kingsman.

Eggsy está com a vida ganha, mora numa Mew em Londres com sua namorada a princesa sueca. Ele ainda vai comer bolo e beber com os amigos mas seu trabalho continua exigindo um certoo jogo de cintura.

Logo no início tem uma sequência ótima ao som de Let's Go Crazy do Prince e acho que essa foi a primeira vez que uma música do Prince tocou num filme (que o Prince não participa).

Eggsy se safa dessa perseguição mas logo depois todos os Kingsman são explodidos (inclusive a sede). Sobra Eggsy e o Mark Strong (esqueci o nome dele no filme). Os dois descobrem que existe uma agência de espiões americana chamada Statesman que é que vai ajudá-los.

Os Statemen tem: Canning Tatum, Jeff Bridges, Halle Berry e o nosso querido Pedro Pascal (também conhecido como Oberyn e Agente Peña).

A vilã do filme é uma traficante de drogas que adora um moedor de carne e quer que as drogas sejam legalizadas porque ela não quer mais viver escondida na mata do Camboja. Ela coloca um virus em seus produtos que deixa um bom número de pessoas doente e só vai dar o antidoto se o presidente americano assinar a legalização.

A melhor coisa desse filme é Sir Elton John. Mais não digo.

Gostei mais do primeiro filme, tinha mais novidade. Esse filme tem uma cena que poderia ser dispensada (mesmo, foi ridícula) mas é divertido, é colorido e se leva muito menos a sério.

A Tia Helô ia acha tudo besteira, mas acho que ela iria gostar de ver Elton na tela. 415 "Ai, Jesus!" para os homens do rei e do estado.

30.9.17

+ Filmes

Feito na América

Nesse filme o garoto de Negócio Arriscado fez um curso com o Maverick de Top Gun e foi parar em Narcos.

Baseado numa história real.

O Tom Cruise faz Barry Seal, um piloto de aviação comercial que é recrutado pela CIA para sobrevoar a America Central e tirar fotos dos grupos rebeldes que se organizavam por lá (início dos anos 1980).

Barry começou fazendo esse trabalho para a CIA e um belo dia teve que abastecer seu avião na Colombia e para sair vivo de lá foi convencido por Pablito and friends a traficar algumas quantias de cocaína de volta para os EUA.

E assim viveu Barry, entre os dois mundos. Claro que ele se mete em muitas confusões. O filme conta como ele fazia para levar as drogas (e armas) nos aviões e também como a CIA armou e treinou (ou pelo menos tentou) alguns grupos rebeldes.

É um assunto pesado mas feito de forma divertida. Achei o Tom Cruise ótimo nesse filme, você fica sem saber se o Barry é um idiota útil ou se ele foi muito esperto no que ele fez para sobreviver.

E sim, o Tom Cruise pilotou os aviões. Não tem nada que ele não faça.

Eu continuo sem entender quem é que consome toda essas drogas porque as quantidades são em toneladas e os traficantes tem tanto dinheiro que enterram nos quintais.

A Tia Helô não ia se deixar enganar pelos olhos verdes do Tom Cruise, 517 "Ai, Jesus!" para cada rasante que ele dá.


Mãe!

O filme polêmico da temporada. Ame ou odeie.

Nem amei nem odiei. É pretencioso pacas, mas tem algumas coisas que gostei (a edição sonora é ótima!), outras não entendi, e outras achei chatas mesmo (aquela camera atrás da cabeça da J.Law).

Esse filme tem mais alegorias do que 10 alas de escola de samba.

Ao contrário da Tia Helô, que era carola, eu não entendo nada da Bíblia, mas consegui identificar algumas coisas do meio para o fim do filme. Depois escutei um podcast onde apontaram todas as referências bíblicas no filme e aí consegui ver um pouco mais sentido.

Pelo que depois entendi é como se todo o babado principal da Bíblia se passasse dentro de uma casa. (da criação do mundo, Adão e Eva, Caim e Abel, o dilúvio indo até Jesus). Javier Bardem é um poeta/Deus, J.Law é a Mãe/natureza (que fica tentando deixar a casa habitável, bonita, mas as pessoas insistem em destruí-la). Deus está ali para ficar pensando em poemas (afinal ele é o criador) e a Mãe faz todo o resto. Ed Harris é o Adão sem costela (adorador do deus), Michelle Pfeiffer é a curiosa e provocadora Eva, os filhos deles chegam brigando e depois que um mata o outro a casa de enche de gente. As pessoas que chegam não respeitam a casa, tentam mudar, tiram pedaços e aí vem o dilúvio. Tudo fica calmo, poeta e Mãe se entendem, ela fica grávida até o dia que o poeta consegue terminar um poema, chegam os fãs e daí pra frente só confusão....até que a mãe natureza não aguenta mais.

Então o filme tem todas essas alegorias bíblicas, mas também dá para associar a outras coisas como relações amorosas, pais e filhos, culto a celebridade/divindade, misoginia, destruição da natureza, gente cara de pau, etc.

Revirei os olhos um bocado vendo esse filme, especialmente nos diálogos finais que conseguiram ser piores do que os de 50 Tons de Cinza. Pode até ser que esses diálogos sejam cafonas intencionalmente (pelo menos o Javier Bardem consegue dizê-los sem rir) mas eram muito ruins.

A Tia Helô iria entender tudinho que se passa naquela casa mas não iria gostar de como retrataram essas histórias, 813 "Ai Jesus!" para Mãe que não conseguia dizer não, para o poeta convencido e para todas aquelas pessoas sem noção.


26.9.17

Analisando a música: Californication (Red Hot Chili Peppers)

Passei a última semana assistindo os shows do Rock in Rio pela TV. De todo o lineup do festival só 3 ou 4 bandas me deram vontade de ir, mas fiquei em casa mesmo.

Ver os shows pela tv tem suas vantagens, mas também dá para ver vários defeitos que quem está lá no calor da multidão nem se importa.

Do que vi pela TV: gostei do Miguel (um rapper americano), o Nile Rodgers foi quem fez mais gente dançar com todos seus hits, Cee Lo Green e sua banda só de mulheres também fez bailinho, Pet Shop Boys transformou o parque olímpico em buatchy, Tears for Fears fez um show perfeito, Steven Tyler e Ney Matogorsso estão super em forma, Alice Cooper entregou o melhor show performático, Alicia Keys teve samba no pé, o The Who mostrou que classic rock rules!, Guns fez solos de guitarras intermináveis (tanto que dormi) e o Red Hot Chili Peppers fechou lindamente o festival.

Aí ontem vendo o show da banda californiana, que sou fã, me dei conta que nunca fiz um analisando a música deles então aqui vai.

Red Hot Chili Peppers foi formada em Los Angeles em 1983. Anthony Kiedis, Flea, Hillel Slovak e Jack Irons tinham sido colegas na Fairfax High School. A banda lançou seu primeiro album The Red Hot Chilli Peppers em 1984. Em 1988, depois de 3 albuns, o Hillel Slovak morreu numa overdose de heroína e o Jack Irons saiu da banda.

Anthony Kiedis e Flea buscaram novos integrantes e seguiram em frente. O baterista Chad Smith entrou em 1988 e está até hoje, acho ele ótimo! Os guitarristas foram variando: o excelente John Frusciante fez parte da banda nos discos que mais gosto, Dave Navarro tocou com eles no One Hot Minute, e o atual guitarrista da banda é o Josh Klinghoffer (que depois de ver ao vivo na tv fiquei impressionada).

O Flea, para mim, é um dos melhores baixistas do rock. Como disse alguém no twitter: "Red Hot Chilli Peppers faz você entender o porque do baixo na banda." O Flea também é ator e já esteve em vários filmes, incluindo De Volta para o Futuro 2 e 3, The Big Lebowski e no recente Baby Driver.

O Anthony Kiedis é o frontman bad boy delícia da banda. Teve problemas com drogas por alguns anos, muita atitude no palco, sempre sem camisa (é o melhor shirtless do rock) e corria sacudindo a cabeleira como ninguém. Até da fase cabelo loiro eu gostei. No show do Rio ele estava mais contido, afinal os 54 anos pesam um pouco, mas ainda tem muito gás. Ele ficou muito bem de cabelo curto e bigode, tirou a camisa só na última música e o shirtless continua muito digno.

Essa é uma banda que quando está no palco dá para ver que eles estão curtindo. Em muitos momentos ficam todos juntos perto da bateria (ao invés de espalhados no palco) como se fosse uma pequena jam session.

Não conheço bem a discografia da banda no início de carreira, só fui conhecê-los em 1991 quando lançaram o quinto album, o ótimo Blood Sugar Sex Magik. (Foi lançado no mesmo dia que o Nevermind do Nirvana, foi um ótimo dia para o rock.) Esse disco tem os elementos pelos quais a banda é mais conhecida: bateria marcante, muito baixo, rap, funk americano, um pouco de punk, tem Breaking the Girl, Suck my Kiss e os hits Under The Bridge e Give It Away (esse video é maravilhoso).

Gosto muito dos três albuns seguintes: One Hot Minute de 1995 (My Friends, Coffee Shop, e tem a minha favorita: Aeroplane), o ótimo Californication de 1999 (Otherside, Around The World e Scar Tissue) e By The Way de 2002 (Zephyr Song, Minor Thing, Can't Stop, Universally Speaking).

Já os três albuns mais recentes: Stadium Arcadium de 2006 (Dani California - outro ótimo video e Snow-Hey Oh), I'm With You de 2011 (Look Around) e o The Getaway de 2016 (Dark NecessitiesSick Love - com o Elton John e Go Robot que tem um video ótimo estilo Embalos de Sabado a Noite) não conheço muitas músicas.

Foi difícil escolher uma música, queria fazer várias, mas dessa vez vou com Californication que está no album de mesmo nome e é um meus favoritos da banda. Esse album marcou a volta do John Frusciante a banda, ele tinha saído depois do Blood Sugar Sex Magik e ainda passou por uma rehab.

One Hot Minute, o album depois do Blood Sugar Sex Magik, não vendeu metade do esperado e a banda acabou despedindo o Dave Navarro. Com a volta do Frusciante e sua parceria com o Anthony Kiedis, o som/estilo da banda mudou um pouco. Esse disco ainda tem bastante funk rock mas também tem músicas mais melódicas e letras mais pessoais (estilo que continuou no album seguinte).

Então vamos saber que tanta fornicação é essa na California.

Psychic spies from China
Try to steal your mind's elation
And little girls from Sweden
Dreams of silver screen quotation
And if you want these kinds of dreams
It's Californication

Essa música é sobre o lado negro da força de Hollywood. Nem tudo é sol, sucesso e surf na terra do entretenimento.

Em 2007 surgiu uma série com o mesmo nome sobre um escritor que vai morar na California mas está sem inspiração para escrever, então sua atenção vai para mulheres, bebida e drogas. A banda processou o canal de tv mas os advogados argumentaram que eles não criaram a palavra que apareceu pela primeira vez num artigo da Time em 1972. Não foram os Chili Peppers que juntaram California com fornication em uma palavra, mas foram eles que fizeram o termo bem conhecido com essa música. O caso foi resolvido fora dos tribunais.

Essa letra tem um estilo rap com rimas melódicas cheias de referências. Começa falando de espiões adivinhos chineses que querem roubar a exaltação da sua mente. Resumindo: uma conspiração para roubar sua felicidade. Em Los Angeles tem muitas, muitas mesmo, casas de Psychics - adivinhos, gente que lê mão, bola de cristal, etc, acho que é uma referência a isso. Li que o Anthony Kiedis pegou essa frase de uma mulher que estava gritando nas ruas de Auckland sobre os tais espiões advinhos da China.

Depois ele fala das meninas suecas que sonham em aparecer nos filmes. Da Suécia vem Greta Garbo e Ingrid Begman. Acontece que não são todas as meninas suecas que conseguem sucesso e reconhecimento. Agumas aparecem em filmes sim só que outro tipo de filme (que vai aparecer mais na frente da música)

Então se você sonha em aparecer quem qualquer coisa e acredita nos mitos e promessas vazias: isso é Californication (acho esquisito traduzir para Californicação, vai ficar em inglês mesmo).

It's the edge of the world
And all of western civilization
The sun may rise in the East
At least it settles in the final location
It's understood that Hollywood
Sells Californication

A California é a borda do oeste americano (geograficamente é o Alasca, mas como ele fala de civilização vamos com a California) porque do outro lado do pacífico já é o Japão e lá é o leste. O sol nasce no Leste mas se põe na localização final, lá na California (o por do sol nas praias de Los Angeles são lindos! just saying). Todos entendemos que Hollywood vende essa ilusão de estrelato mas tem o outro lado da moeda que é Californication.

Pay your surgeon very well
To break the spell of aging
Celebrity skin is this you chin
Or is that war you're waging?

Pague muito bem seu cirurgião plástico para que consiga quebrar o feitiço do envelhecimento. Adoro que ele se refere ao envelhecimento como um feitiço. Na California é considerado mais uma maldição do que um feitiço. A aparência é muito valorizada na terra do entretenimento.

Celebrity Skin é uma música do Hole (banda da Courtney Love) que fala sobre superficialidade e os mesmos temas de Californication. E ele pergunta: esse é o seu queixo? Ou é uma guerra que você está travando? Guerra contra o envelhecimento é guerra perdida.

First born unicorn
Hardcore soft porn

Adoro essa rima. O que é o primeiro unicórnio nascido? É uma coisa única, original, excepcional, rara, incomum, e todos os outros sinônimos. Acho que na música significa que todos se acham especias. Aí vem o "hadcore soft porn" pornô suave explícito, que é onde muitas pessoas que foram atrás de sucesso acabam trabalhando, ou significa que fazem qualquer coisa para se manter por lá. Ser único nessa indústria é para poucos.

Dream of Californication

Sonhem com Californication, podem seguir seus sonhos de estrelato e sucesso mas saibam que nem tudo que brilha é ouro.

Marry me girl be my fairy to the world
Be my very own constellation
A teenage bride with a baby inside
Getting high on information
And buy me a star on the boulevard
It's Californication

Essa estrofe começa com o que eu considero uma cantada barata: case comigo, seja minha fada, seja minha constelação, é tudo conversa fiada para conseguir uma transa. E em Hollywood isso deve acontecer muito, pessoas elogiando e enganando outras para conseguirem o que querem.
Mãe adolescente é uma figura recorrente nas músicas do Red Hot Chili Peppers, no caso dessa música o Anthony Kiedis disse (na sua autobiografia que não li mas tem pedaços na internet) que conheceu uma mãe adolescente num YMCA da vida e que ela estava fracassando em ficar sóbria. Acho que "Getting high on information" significa que ser mãe nessa idade é muita informação para absorver OU que por ser adolescente está recebendo um overload de informações da cultura pop (assitindo TV e outras coisas).

"Me compra uma estrela na calçada da fama". A compra do reconhecimento e fama. Californication.

Space may be the final frontier
But it's made in a Hollywood basement
Cobain can you hear the spheres
Singing songs off Station to Station
And Alderaan's not far away
It's Californication

Como não amar uma estrofe com referências a Star Trek (final frontier), Star Wars (Alderaan), Kurt Cobain e David Bowie (Station to Station).

Ele diz que o espaço pode ser a fronteira final mas é feito num porão em Hollywood, uma clara referência a ilusão e efeitos especiais dos filmes e por isso Alderaan (o planeta da Princesa Leia) não está muito longe.
E pergunta para o Kurt Cobain se ele consegue escutar os amigos (as pessoas/ a galera/o universo) cantando as músicas do Station to Station do David Bowie. Pelo que li Anthony Kiedis e Kurt Cobain ficaram amigos quando fizeram uma turnê com o Nirvana. E sabemos que o Kurt Cobain era fã do David Bowie (ele e todo mundo), tanto que gravou a melhor versão de The Man Who Sold The World no acústico da banda.

Born and raised by those who praise
Control of population
Everybody's been there 
And I don't mean on vacation

Nascido e criado por aqueles que exaltam o controle de população. Não sei exatamente o que isso significa, mas pode ser relacionado ao fato de nascer em Hollywood e viver com os valores impostos por aquela sociedade. Ajuda dos universitários, por favor.

"Todo mundo já esteve lá e não a passeio.". O mundo do entretenimento é chamativo mas também é restrito. A quantidade de pessoas que vão para Hollywood para serem atores, cantores, apresentadores, comediantes, etc e acabam servindo mesas em restaurantes, limpando casas e outras coisas, é grande. Esse mundo também e sempre retratado em filmes, séries, reality shows, então de alguma forma todos nós já estivemos lá.

First born unicorn
Hardcore soft porn

Mais uma vez o unicórnio primogênito com o pornô suave mas explícito.

Dream of Californication

E continuam os sonhos de Californication.

O próprio Anthony Kiedis foi menino cirado no Michigan mas as 12 anos foi viver com o pai em Los Angeles e adotou rapidinho o estilo de vida, ele sabe do que está falando quando canta Californication.

Claro que nem tudo na California, Los Angeles e Hollywood é assim. Tem seu lado bom também.
Acho Los Angeles uma cidade ótima (tem vários posts aqui no blog falando da cidade nas 2 últimas vezes que estive lá), especialmente para quem não busca o estilo Californication e quer só passear e se divertir.

Destruction leads to a very rough road
But it also breeds creation
And earthquakes are to a girl's guitar
They're just another good vibration
And tidal waves couldn't save the world from Californication

E aqui temos uma reflexão: destruição leva a uma estrada difícil mas também gera criação. Algumas pessoas para serem criativas precisam ser destrutivas, para uma coisa nova surgir outra tem que se destruir, coisas boas surgem de coisas ruins e por aí vai.

E claro que vamos falar dos terremotos, que são fenomenos naturais comuns na California. Por serem comuns ele compara a apenas uma boa vibração, os terremotos menores pelo menos. (Possilvemente também pode ser uma referência a música dos Beach Boys "Good Vibrations").

Mas ele diz que nem um maremoto pode salvar o mundo da Californication. Porque Californication tem a ver com desejos e isso vai sempre existir, para o bem e para o mal.

Pay your surgeon very well
To break the spell of aging
Sicker than the rest
There is no test
But this is what you're craving

E aqui temos o cirurgião milagroso que vai quebrar o feitiço do envelhecimento por uma boa quantia de din din.

Mas aqui ele emenda dizendo que "Não há duvida que estão mais doentes que o resto, mas é isso que desejam." Talvez isso signifique que as pessoas em Hollywood são mais obcecadas com aparência e envelhecimento (afinal a indústria do entretenimento é cruel) do que o resto do mundo, mas como fama e sucesso é o que desejam acabam fazendo de tudo.

First born unicorn
Hardcore soft porn

Quanto ao unicórnio, achei várias definições e teorias, que vão desde opções sexuais até uma moça que foi assassinada pelo marido e tem um livro sobre o assunto chamado "The Killing of the Unicorn".

Mas vou ficar com a minha interpretação inicial de que o bichinho é mágico.

Dream of Californication

E quem quiser que sonhe com Californication.



Red Hot Chili Peppers faz videos excelentes, eu até poderia fazer um top 10 só dos videos deles. Esse de Californication é uma espécie de videogame com os integrantes da banda pulando e enfrentando obstáculos na California.





O melhor Carpool Karaoke foi com eles, claro.

8.9.17

+ Filmes

Palhaços e espiã

Bingo

Esse filme conta a história do ator que fez o Bozo no Brasil. Bozo era um palhaço de um programa infantil importado dos EUA e quando chegou por aqui deram uma boa abrasileirada.

Quando o Bozo apareceu na TV eu já era pré-adolescente e achava tudo aquilo muito bizarro, mas confesso que tentei ligar para o programa dele uma ou duas vezes, mas nunca tive sucesso.

Na verdade sempre achei esse programas infantis da década de 1980 muito bizarros, mas o Bozo era o que me parecia menos. Da Xuxa nem falo porque detestava o programa dela, só gostava dos desenhos.

A primeira metade do filme é ótima! Traduz bem a época e o entusiasmo de novas possibilidades do entretenimento. A trilha sonora é excelente (tem Echo and the Bunnymen, DEVO, Tokyo, Metrô, e outros classicos 80's). O Vladimir Brichta está sensacional na pele do Bozo.

A segunda metade que mostra a decadência do ator não curti tanto mas sei que um filme biográfico é assim. Contudo tem cenas muito bem filmadas e até surpreendentes. Achei que valeu o ingresso.

A Tia Helô certamente deveria achar o Bozo coisa dos "outros" para desviar as criançinhas. 417 "Ai Jesus!" para esse palhaço bizarro.

It

Em português esse filme tem o título de It - A Coisa e é baseado no livro do Stephen King. Não li o livro, mas lembro do filme para tv feito nos anos 1990 com o Tim Curry no papel do palhaço e era um filme com enfase no terror. Nesse filme novo o centro das atenções são os pré-adolescentes, seus problemas e medos. Só vou dizer que tem muita coisa mais assustadora que o palhaço.

A história passa na pequena cidade de Derry nos EUA e começa com o sumiço do Georgie, irmão do Bill. Georgie sai num dia de chuva para brincar com seu barco de papel e encontra o palhaço no bueiro.

O porque do Georgie não sair correndo de um fu**ing palhaço no bueiro é um mistério, mas ele fica lá papeando e o palhaço o pega. Bye, bye Georgie. (isso está no trailer)

Depois ficamos sabendo que esse palhaço aparece a cada 27 anos e durante um ano crianças e adolescentes somem.

No verão seguinte ao sumiço do Georgie (e outras crianças) a turminha de férias da escola se junta e vão desvendar esse mistério.

É mais um filme que bebe na fonte dos anos 1980 e isso quase nunca é ruim, vide: Stranger Things e Super 8. Eu gostei desse filme, esperava uma coisa e vi outra melhor. O palhaço é bem feito, tomei muito susto com ele quando aparecia. Em alguns momentos eu me contorcia com coisas mais assustadoras que o palhaço e até pedia para ele aparecer.

A Tia Helô ia morrer com aquele palhaço cabeçudo. 552 "Ai, Jesus!" para o Pennywise.


Atômica

Charlize Theron (lindíssima, como sempre) faz uma espiã numa missão em Berlim na semana da queda do muro.

Ela encontra o James McAvoy por lá e eles tem que recuperar uma lista que foi roubada por um russo.

É isso. Espionagem da boa e muita pancadaria. Charlize Theron chuta muitas bundas. As cenas de ação são muito bem feitas!

Mas o que esse filme tem de muito bom é a trilha sonora. São classicos da década de 1980 que na época eram considerados alternativos (mas que hoje são bem conhecidos). E como passa na Alemanha, temos únicos três hits alemães que fizeram sucesso mundial: 99 Luftballons, Major Tom e Der Kommissar. Tem David Bowie, porque uma trilha sonora de filme sem David Bowie não é uma trilha de respeito. E tem até uma banda que eu adoro mas não escutava há algum tempo: Siouxie and the Banshees. Me deu vontade de dançar todas as músicas.

As músicas são muito bem encaixadas nas cenas e tocam tempo suficiente para a gente poder apreciar (não fica aquela coisa picada que frustra como alguns filmes fazem).

Eu gostei, mesmo com toda aquela violência.

A Tia Helô iria gostar da Atômica girl power, mas para que tantas costelas quebradas? 613 "Ai, Jesus!" para a loira.


28.8.17

Game of Thrones 7ª temporada

Essa sétima temporada foi mais curta, só 7 episódios. Algumas coisas foram corridas, mas muito aconteceu então vamos ao resumo. A temporada foi curta, mas o post é longo.

COM TODOS OS SPOILERS

A temporada começou com Mother of Dragons chegando em Westeros e ocupando Dragonstone, terra de seus ancestrais e antigos reis. Ela tem exércitos, tem navios e tem dragões.

Jon Snow está lá no norte tentando convencer a galera que eles precisam se preparar para uma guerra com os White Walkers. Ele e a Sonsa tem algumas divergências quanto a forma de liderar. Sonsa quer atacar Cersei e Jon Snow sabe que o perigo vem do norte, ambos com suas razões mas que deixa rasgos na liderança (ainda mais quando a Sonsa fica questionando tudo que o Rei do Norte fala na frente de todos).

Lady Lyanna Mormont apareceu pouco nessa temporada mas já teve a melhor fala logo no primeiro episódio, ela está pronta para guerra e diz: "I don't plan on knitting by the fire while men fight for me.". Lyanna Mormont para rainha dos 7 reinos já!

Depois de uma reunião o Jon Snow manda o Ruivão (que nessa temproada é a melhor pessoa) e alguns wildlings para um castelo na fronteira com a muralha onde ele acha que os White Walkers vão chegar.

A Mother of Dragons se reune com seu pessoal: Tyrion (o anão favorito de todos), Greyjoys, Vó Tyrell (ótima!), esposa do Oberyn e Careca Eunuco. Mother of Dragons tem a melhor turma. Eles estão planejando como atacar Cersei. Mother of Dragons tem uma conversa sincera com o Careca Eunuco e a Vó Tyrell dá um conselho sábio: seja um dragão!

A bruxa ruiva chega em Dragonstone e dá a notícia que o Jon Snow é o Rei do Norte e que Mother of Dragons e Jon Snow precisam dar match. Tyrion fica surpreso que o bastardão de Winterfell chegou no topo e diz a Mother of Dragons que esse encontro pode ser uma boa idéia.

A essa altura o Littlefinger está jogando veneno para todos os lados em Winterfell e Jon Snow dá uma prensa nele. Pausa para dizer que o Littlefinger, até agora, é o grande vilão dessa série, é por causa de todas as fofocas e intrigas dele que tudo começou, ele é o maior manipulador dos 7 reinos. Desde a 3a temporada ele quer casar com a Sonsa e ser Rei do Norte. Ele quer ser rei de tudo mas vai comendo pelas beiradas.

Arya começou a temporada arrasando. Deu cabo de todos os Freys, vingou o Red Wedding e foi em direção a King's Landing, mas desviou no meio do caminho quando soube que Jon Snow era o Rei do Norte.

Cersei e Jamie estão no bem bom de King's Landing organizando uma guerra e terão ajuda do Titio Greyjoy - um personagem ótimo que é anarquista o suficiente para ser mauzão e divertido ao mesmo tempo.

Jon Snow recebe uma cartinha do Tyrion o chamando para uns drinks com a Mother of Dragons e outra cartinha do Sam (que está limpando penicos e outras coisas no lugar onde ele foi para estudar) dizendo que o lugar que mais tem dragonglass (um dos materiais que mata White Walkers) é.....wait for it.....Dragonstone.

E no terceiro episódio dessa temporada tivemos o encontro mais esperado: Mother of Dragons e Jon Snow. Gelo e Fogo. E foi maravilhoso. Ela querendo se impor, dizendo para ele se ajoelhar diante da rainha e ele dizendo que não a conhecia o suficiente para fazer isso. Começou tenso mas ao longo da temporada evoluiu e assim nasceu uma grande amizade....ou algo mais.



(O reencontro do Jon Snow com o Tyrion também foi ótimo! os dois tinham sido buddy buddies lá na primeira temporada quando o anão foi passear na muralha)

Jon Snow e Mother of Dragons tiveram que conversar um bocado, entre si e com outros, para que ela finalmente deixasse ele tirar o vidro de dragão de suas minas (isso não é um eufemismo, ainda).

A primeira investida da Mother of Dragons sobre a Cersei não deu certo, o Titio Greyjoy foi mais esperto e derrotou os navios da Yara. Theon foi o covardão de sempre e fugiu enquanto Yara, a esposa do Oberyn e filha foram presas. A esposa do Oberyn na 5a temporada matou a filha da Cersei e esta devolveu o favor na mesmo moeda.

Cersei mandou Jamie ir lá atacar as terras da Vó Tyrell e trazer comida e ouro para pagar as dívidas. Jamie matou a Vó Tyrell com um veneno mas não sem antes escutar algumas verdades como só ela sabe dizer. RIP Vó Tyrell.



Jon Snow convidou a Mother of Dragons para uma exposição de arte na caverna (e nós sabemos do que o Jon Snow é capaz numa caverna, ui, ui, ui. Mas não foi nada disso, ainda.). Jon Snow mostra o que os povos antigos deixaram desenhado lá, e olha, esse pessoal desenhava super bem porque os White Walkers são bem fiéis a realidade. Ao sair da caverna Mother of Dragons descobre que foi derrotada e não fica nada feliz. Ela pega seu dragão favorito e mais alguns milhares de Dothrakis (o povo dos cavalos) e foi atrás do exercito do Jamie Lannister.

Que ataque SENSACIONAL. Uma coisa linda aqueles Dothrakis nos cavalos com o dragão atrás. Muita gente foi queimada, o dragão levou uma lançada (mas sobreviveu), Jamie tentou matar a Mother of Dragons e quase morreu com uma baforada mas foi salvo e conseguiu voltar para Cersei e dizer que o buraco é mais embaixo.



(Uma pausa para dizer que foi uma participação curta do DickON, irmão do Sam, mas foi marcante. Um beijo DickON, que se juntou aos lindões Robb Stark e Oberyn.)

RIP DickON.

Cersei não se abala muito porque afinal ela agora tem dinheiro para montar um exército (o ouro chegou mas a comida foi toda queimada).

Em Winterfell, o Bran chegou por lá cheio de mistério e numa vibe mestre dos magos. Arya também chegou e é outra que está esquisita pacas. O Littlefinger está dedicado a fazer intriga entre as irmãs Stark.

Bran, que agora é o corvo dos três olhos, vê os White Walkers se organizando e manda cartinhas para todo mundo, mas o pessoal não acredita muito nele, bem, menos o Sam que sabe exatamente do que ele está falando. Sam pega uns pergaminhos da biblioteca e vai embora para o norte ajudar na guerra, mas antes ficamos sabendo que Rhaegar Targaryen se casou oficialmente com Lyanna Stark.

Aí chegamos na reta final da temporada...

Depois da batalha nas terras da Vó Tyrell, Tyrion vê o estrago e fica preocupado com as decisões da Mother of Dragons. Ele tem uma conversa sincera com o Careca Eunuco e os dois concluem que podem dar conselhos mas que no fim não decidem nada.

Danaerys volta com seu dragão e temos um momento fofo com Jon Snow fazendo um carinho no dragão favorito da Mother of Dragons.



Sir Jorah é brasileiro e não desiste nunca, se curou da doença de pele (o Sam o curou) e foi atrás da sua Kahlessi. Mother of Dragons fica feliz em vê-lo (e Jon Snow com uma pontinha de ciúmes, desnecessário porque todo mundo sabe que Sir Jorah nada e morre na praia, mas não desiste nunca).

O Tyrion tem uma idéia bizarra. Eles precisam convencer a Cersei de um cessar fogo para que todos se juntem na guerra contra os White Walkers. E como ele quer fazer isso? Levando um zumbi para ela ver pessoalmente. Oi?

Tyrion vai até King's Landing encontrar o Jamie (e lavar uma roupa suja) para marcar esse encontro com a Cersei. Quando Jamie conta do encontro para Cersei ela já sabia de tudo e ainda diz que tem bebê incesto na barriga.

O Davos foi com o Tyrion para King's Landing e aproveitou para encontrar o Gendry. Gente, f**king Gendry que estava remando desde a 3a temporada is BACK! (lembrando: Gendry é filho bastardo do Rei Baratheon, mas a essa altura do campeonato, com Jon Snow e Mother of Dragons na parada ele não tem direito a trono nenhum).

Então, Jon Snow, Sir Jorah, Gendry e Davos vão rumo o castelo na muralha encontrar Ruivão e cia para caçar um zumbi. O Ruivão prendeu o Hound e mais dois da irmandade que foram para o norte também atrás dos zumbis. Tirando Davos que já passou da idade, o resto se juntou num grupo suícida que foi para além da muralha.

Essa turminha coloca todas as diferenças em dia: Ruivão conta do seu crush na Brienne para o Hound, Jon Snow e Sir Jorah tem um papo sobre o pai do Sir Jorah e ficam amigos, Gendry reclama um bocado que os caras da irmandade o venderam para a bruxa ruiva, e o cara do tapa olho que voltou da morte 6 vezes fala pro Jon Snow que eles não estão ali a toa.

Eles acham um zumbi para chamar de seu, mas aí vem mais uns milhares atrás junto com os White Walkers. Jon Snow manda o Gendry ser the flash até a muralha e mandar um S.O.S. dragão para a Mother of Dragons. Depois de uma noite congelando, rodeados de zumbis, a bagunça começa. O Ruivão quase morre (ainda bem que não foi dessa vez, teria ficado traumatizada), mas a Mother Of Dragons chega a tempo e salva a galera. Menos o Jon Snow que fica para lutar com alguns zumbis depois que o Rei da Noite (ele é fodão) mata um dos dragões.

Jon Snow é salvo pelo Tio Benjen, que só faz isso na série, e consegue chegar na muralha. Jon Snow e Mother of Dragons tem uma conversa sincera, ele pede desculpas por ter levado todos lá e o dragão morreu, ela diz que agora acredita em tudo e ele finalmente diz que se ajoelha. Todos suspiram com esse casal fofo de titia a sobrinho.

Acontece que o Rei da Noite tem um bocado de corrente sobrando e os zumbis conseguem içar o dragão do gelo e.....adivinha.....temos um dragão zumbi!!

A pergunta é: ele cospe fogo ou gelo? (segundo o Luiz, meu amigo, vai ser flocos de neve. hahahaha)

E no último episódio.....

Cersei aceita o encontro com Mother of Dragons, Jon Snow e cia. Mother of Dragons chega de dragão, porque se não for para chegar de dragão eu nem vou.

Depois de alguns reencontros amistosos (Brienne e Hound, Bronn e Tyrion) e algumas amenidades (irmãos Clegane se encarando, Titio Greyjoy provocando, etc) o Tyrion começa a falar e diz que essa guerrinha entre eles não vale nada comparado ao que vem por aí e mostra o zumbi que eles trouxeram.

Cersei até fica assustada e diz que se junta a eles SE o Jon Snow se ajoelhar para ela. Entra na fila Cersei porque o que tem de mulher querendo que o Jon Snow se ajoelhe..... Anyway, Jon Snow diz que se ajoelhou para Mother of Dragons (muitos suspiros internos da Mother of Dragons nesse momento) e Cersei tira o time de campo.

Todos reclamam que Jon Snow não conta UMA mentirinha boba para salvar o mundo. Jon Snow as vezes faz umas que merece uma revirada de olhos.

Tyrion vai lá e tem uma conversa sincera com a Cersei cheia de sentimento. Aí o Tyrion volta com Cersei para sua turma, ela diz que mudou de idéia, que vai sim se juntar a guerra contra os White Walkers e eles vão embora.

MAS A CERSEI ESTAVA MENTINDO. Claro. É a Cersei né gente. Ela mandou o Titio Greyjoy buscar um exército novo que ela comprou. Ela acha que como a Mother of Dragons só veio com 2 dragões que eles são vulneráveis. Mal sabe a Cersei onde está o terceiro dragão.

Cersei enganou até o Jamie que por sua vez finalmente viu que ela passou dos limites, deu tchau para a irmã e foi para o norte. Fim do incesto mais famoso de Westeros (por enquanto). Aliás, aguardo o próximo encontro de Jamie com Brienne, curto a amizade desses dois mas shipo Brienne com Ruivão.

Mother of Dragons, Jon Snow, Tyrion e cia se preparam para ir para Winterfell e juntar o pessoal do norte. Mother of Dragons poderia ter ido de dragão mas preferiu ir no barco com o Jon Snow e rolou um momento Tieta. Essa relação foi bem desenvolvida durante a temporada, paquera estava rolando forte desde o episódio 6 e ficou mais forte nesse episódio com a conversa que ela não pode ter filhos e que ele duvida que isso seja verdade. Vamos combinar que para uma série que tem um incesto ente irmãos gemeos e um pai que tinha filhas com as filhas, uma transa entre tia e sobrinho, que nem sabem dessa relação de sangue, não é nada. (e Jon Snow mostrou qual parte do corpo ele malha em todas essas caminhadas na neve)

you know nothing jon snow

Tyrion está preocupado e ele ainda nem sabe do parentesco.


Enquanto isso em Winterfell....as irmãs Stark armaram para cima do Littlefinger e Arya passou a adaga no pescoço dele. Achei justo o Littlefinger morrer a essa altura da série. Ele perdeu a função de fofoqueiro e intrigueiro, afinal quem sobrou para ele manipular? Mother of Dragons está com Jon Snow, Cersei não cai na dele e o Rei da Noite é que não vai querer conversa mesmo. RIP Littlefinger.

Finalmente Bran abriu o bocão sem ser enigmático e contou para o Sam que Jon Snow é filho bastardo de Rhaegar Targaryen com Lyanna Stark. Sam complementou a informação dizendo que Jon Snow não é bastardo porque o casamento de seus pais foi oficializado.

Ou seja: Jon F**king Snow Stark Targaryen é o herdeiro oficial da PORRA TODA.

Pausa para absorver essa informação e ainda lembrar que tudo que o Jon Snow quer é uma vida tranquila. Ele nunca quis ser líder, muito menos rei. Ele está nessa posição porque gosta de fazer a coisa certa e é carismático pacas. Na 6a temporada ele até estava arrumando as malas quando a Sonsa chegou e ele teve que mudar de planos. Jon Snow passou a vida inteira achando que era bastardo (e tratado como tal). Ele vai pirar na próxima temporada. Aguardo muito Jon Snow pensativo e algumas DRs (porque a Mother of Dragons não vai deixar isso passar batido).

e agora gente?

E Bran diz que o nome de Jon é Aegon Targaryen. Prefiro Jon Snow mesmo.

Para terminar, lá na muralha, o Ruivão estava olhando o horizonte quando chegam os White Walkers com seu exército de zumbis e na maior pose o Rei da Noite vem montado na sua mais nova aquisição: Dragão Zumbi.

E temos a resposta da pergunta: o que o dragão zumbi cospe? Não é fogo, nem gelo, nem flocos de neve. É uma espécie de fogo azul ou raio laser que destrói um bom pedaço da muralha e abre caminho para o exército dos mortos passar.



Para a próxima e última temporada (que ninguém sabe quando vai ser) temos:
Jon Snow e Mother of Dragons juntinhos sem saber de todo babado que os espera.
Cersei grávida (diz ela) pronta para atacar.
Jamie andando a cavalo rumo norte.
Arya e Sonsa melhores amigas na neve.
Anão preocupadíssimo! Com razão.
Bran e Sam loucos para contar uma novidade.
Gendry, Davos, Sir Jorah, Brienne, Hound, Careca Eunuco e cia estão jogando um carteado até a próxima temporada.
Ruivão é dúvida ainda, mas acho que ele está vivo, só acredito que ele morreu quando mostrarem o corpo.
Rei da Noite chegando lindamente com seu Dragão Zumbi e seu exército gigantesco.

O inverno definitivamente está aqui.

Vamos tomar vitaminas e exercitar que eu quero ver Jon Snow e Mother of Dragons montados nos dragões (sem trocadilhos, ou com trocadilhos, já nem sei mais).

Quero mesmo é ver o Jon Snow montado no dragão com o lobo do lado.


Reclamação: mesmo com uma temporada curta dessas ainda perderam tempo com o namoro da tradutora com o guerreiro eunuco. WHO CARES??

Ia reclamar mas desisti: no último episódio perderam um tempo com o Theon Greyjoy (chaaato) que decide ir atrás da irmã. Claro que os caras sabem que ele é covardão e dizem que não e ele vai brigar. Quando ele leva três joelhadas no que seria uma área sensível que ele não tem desde a 3a temporada e ele nem se abala, eu ri MUITO e valeu a participação dele na temporada.

Contagem dos lobos: tem 2 vivos - o do Jon Snow que só aparece quando é conveniente, e a loba da Arya que foi viver com as amigues na floresta.


Sobre as outras temporadas: temporadas 1 a 3, 4ª temporada, 5ª temporada e 6ª temporada.

12.8.17

Parque Olímpico um ano depois

Depois que estive em Londres mês passado e visitei o Parque Olímpico de lá, e adorei ver como as pessoas usavam aquela área, fiquei com vontade de ver como estava o do Rio um ano depois que as Olimpiadas acabaram.

arena do tênis

(Post com o escrevi sobre o Parque Olímpico quando estive lá ano passado)

Chegar no Parque Olímpico continua fácil e rápido. De Copacabana para o Jardim Oceânico, na Barra, leva 20 minutos no metrô e depois são mais 25 minutos no BRT que para na porta do parque.

O Parque Olímpico fica aberto aos sábados, domingos de feriados de 8:00 as 18:00.

As estruturas estão todas lá: arena do tênis, arenas cariocas 1, 2 e 3; o velódromo, a da ginástica olímpica e a estrutura física da piscina (mas acho que não tem mais piscina lá dentro.

arenas cariocas 1, 2 e 3

O parque está bem cuidado, colocaram algumas quadras esportivas do lado de fora, alguns brinquedos para crianças e só.

a estrutura da piscina sem a fachada
com desenhos da adriana varejão

O lugar continua um descampado, sem sombra e chega a ser desconfortável em alguns horários.

única sombra

A Arena Carioca 1 estava aberta, tinha um campeonato de tênis de mesa, e com isso tinha um food truck e os banheiros estavam abertos. Não sei se sem algum evento os banheiros ficam abertos.


A população não usa esse parque. Tinha pouquíssimas pessoas lá dentro, a maioria de bicicleta (e mesmo assim conto nos dedos das mãos os que estavam lá.

muro dos campeões

A estrutura para o Rock in Rio já está sendo montada..

essa vista da lagoa é bonita

Resumindo: é apenas um lugar para eventos. Acho uma pena que as pessoas que moram na região (tem muitos prédios e condomínios em volta) não usem esse parque, mas do jeito que está não dá para fazer muita coisa mesmo.

11.8.17

Nirvana e Punk Rock

Ontem fui ver a exposição sobre o Nirvana e o Punk Rock que está no Museu Histórico Nacional.


É uma exposição sobre a influência do Punk Rock em uma banda como o Nirvana. Se você escutou nirvana alguma vez na vida sabe que a raiz do punk está lá.

in utero
Kurt Cobain e cia escutavam muito Punk Rock e outras coisas também (Dave Grohl é fã de Beatles) que influenciaram as músicas do Nirvana em sua curta carreira.


Mas a exposição não concentra só no Nirvana, claro que a banda é o principal (videos, fotos e memorablia), mas tem uma boa parte dedicada a outras bandas da era grunge e até a Sub Pop uma gravadora de Seattle que pegou todo esse pessoal em início de carreira.


Não é uma exposição grande mas é bem feita. Tem estações interativas para ver videos sobre o assunto e outras para escutar músicas - essas são as melhores.



No fim tem um lugar onde você faz um video cantando e dançando (se quiser) uma música do Nirvana que depois passa num telão para todo mundo ver. E tem uns cenários montados que dá para tirar fotos como se fosse capa de disco ou participando de algum video.

claro que fiz uma foto nevermind

Eu gostei dessa exposição, passei um tempão escutando música. Tinha uma estação de punk rock e bandas underground (algumas eu conhecia bem outras não), outra estação era de bandas do Noroeste dos EUA (achava que conhecia muitas bandas dessa região mas vi que não, que sou quase Jon Snow nesse assunto e tem muita banda boa para conhecer), uma estação era só das principais bandas do movimento grunge e a última estação era de bandas pós anos do grunge.

adoro essa capa (e título) desse
album do mudhoney

Depois andei pela ótima exposição permanente do Museu Histórico Nacional, sempre vale a pena.

Essa exposição fica em cartaz até o próximo domingo.


(aqui no blog já analisei Lithium do Nirvana e In Hiding do Pearl Jam)

9.8.17

Bye bye iPods

Semana passada a Apple decidiu acabar com os iPods. Não vai mais vender nem o nano nem o shuffle. O único que ainda resiste é o iPod Touch, que é um iPhone sem o telefone.

Eu acho que o iPod foi uma das melhores invenções ever. Aqui no blog tenho uma sessão dedicada a ele, e até fiz um momento TOC de um dos meus iPods (tive -ainda tenho- alguns e até contei história deles aqui).

Antes do iPod eu tinha que carregar um walkman e fitas k7, e depois um discman e cds. A evolução não foi só no hardware que tinha que carregar, foi também na forma de escutar as músicas.

Na era da fita a gente gravava as músicas de um lado e de outro, só cabiam umas 16 músicas por fita, e procurar uma música na fita era uma chatice. Na era do cd melhorou um pouco.

Mas foram os MP3 que facilitaram a vida nesse sentido. Cabia mais de 20 músicas e pular ou voltar era fácil.

A revolução do iPod foi, além do armazenamento organizado de centenas (milhares) músicas, a possibilidade do shuffle. É como se alguém escolhesse as músicas, sempre uma surpresa.

Hoje essas funções todas estão no telefone e por isso os iPods subiram no telhado.

Usei meu iPod nano até bem pouco tempo. Achava muito melhor para correr por ser bem pequeno e mais leve, mas, no mundo conectado de hoje, a camera faz falta e os aplicativos esportivos também.

Então me despeço da era do iPod, foi ótimo enquanto durou.

7.8.17

+ Filmes

Planeta dos Macacos: A Guerra

Esse é o terceiro filme da trilogia que começou com o Planeta dos Macacos: A Origem (2011), e depois O Confronto (2014).

Nesse filme a história se passa alguns anos depois de O Confronto onde o Koba (um macaco que odiava humanos) começou uma discórdia entre macacos e humanos e agora um exercito de humanos está perseguindo os macacos no meio da floresta.

Cesar e sua turma são inteligentes e organizados mas do lado dos humanos tem um coronel maluco (o Woody Harrelson). O Cesar não quer guerra, ele até gosta dos humanos, mas o coronel insiste em ser desagradável e mata a família do Cesar.

Cesar com sangue nos olhos vai atrás do coronel e descobre que o buraco é mais embaixo. É um filme sobre guerra e intimista ao mesmo tempo.

Esse filme fecha muito bem a trilogia de prequels (prólogos?) e deixa tudo bem amarrado para o Planeta dos Macacos original de 1968.

O Andy Serkis está maravilhoso. O trabalho dele junto com os efeitos especiais é fantástico, aliás todos os macacos são bem feitos.

Continuo dizendo: cientistas apenas parem de inventar virus e deixem os macacos em paz.

A Tia Helô iria gostar do Cesar, macacão da porra. 516 "Ai, Jesus!" para nós humanos que só fazemos besteiras.



Baby Driver

Quando estava em Londres a coisa que mais vi nas ruas e ônibus era propaganda desse filme, depois era só crítica boa vindo de todos os lados, então fui ver né?

Baby Driver é um musical moderno sobre um garoto que é motorista de carros de fuga em assaltos. O Baby tem um problema qualquer nos ouvidos que faz com que ele escute música o tempo todo (para neutralizar um zumbido ou por TOC mesmo) e tudo que ele faz é no ritmo dessas músicas, inclusive dirigir o carro que nem um louco.

Todas as cenas de ação são sincronizadas com a música e a trilha sonora é muito boa, mas do meio para o fim o filme fica uma droga. Pronto falei.

A história não é tão boa assim, a melhor cena ficou logo no início do filme, e no fim se perde com vilão Dick Vigarista indestrutível, mocinha boba que está ali preenchendo vaga de donzela em perigo e um julgamento ridículo.

O cinema que vi esse filme não tinha um som bom e prejudicou meu aproveitamento das cenas coordenadas com a música, mas não teria mudado minha percepção da história. A melhor coisa desse filme é o Jamie Foxx.

Escutei um podcast com cinéfilos e todos elogiando esse filme até dizer chega, mas tudo muito cheio de detalhes que eu não teria reparado de qualquer jeito (como uma música é cortada e editada para significar que o Baby passou de bonzinho para revoltado). E se eu preciso ver um filme mais que uma vez para perceber porque é bom, sinto em dizer, talvez não seja tão bom assim.

O Ansel Egolrt é simpático mas é péssimo no lip sync.

A Tia Helô ia revirar os olhos para Baby e seus amigos, 417 "Ai, Jesus!" para cada cantada de pneu.

2.8.17

Analisando a música: Society (Eddie Vedder)

O analisando a música da vez foi um pedido da Magê. Ela e a Rapha fazem um podcast chamado Livre e o tema do episódio da semana passada foi Grandes Viradas. No podcast a Magê citou o filme Into The Wild (Na Natureza Selvagem) como exemplo de uma grande virada no cinema e até colocou um pedaço dessa música.

Aí ela me pediu para analisar Society e como sou fã do Eddie Vedder (que lê o blog sabe que a voz dele é mel nos meus ouvidos) disse que faria, claro.

Society faz parte da excelente trilha sonora de Na Natureza Selvagem, um filme sobre um rapaz que deixa tudo para trás (a grande virada da vida dele) e vai num road trip pelos Estados Unidos até chegar no Alasca. O filme é baseado no livro de mesmo nome do Jon Krakauer (não li).

Esse filme é muito bom, escrevi um post aqui no blog quando assisti.  Até coloquei no meu Top 5 filmes de viagem só porque depois de ver esse filme fiquei com vontade de ir ao Alasca. De lá pra cá já vi mais algumas vezes e ainda acho um filme sensacional, tanto nas imagens quanto na história do Christopher McCandless e especialmente na trilha sonora.

O Sean Pean, diretor do filme, escolheu o Eddie Vedder a dedo para a trilha sonora (eu escolheria o Eddie Vedder para qualquer trilha sonora).

A trilha sonora é toda composta de músicas que refletem a jornada do Christopher McCandless. A maioria é de músicas no estilo folk, voz e violão. Guaranteed que é a última música do album deu ao Eddie Vedder um Globo de Ouro de Melhor Canção Original em 2008.

Um parenteses para dizer que a galera do Oscar em 2008 não indicou nenhuma música dessa trilha. Indicaram 3 músicas do Encantada da Disney (#revoltada), ainda bem que quem ganhou o Oscar foi Falling Slowly de Once.

Eddie Vedder canta todas as músicas na trilha sonora, mas nem todas foram compostas por ele. Hard Sun que é a música de maior sucesso dessa trilha é um cover de um músico canadense chamado Indio (o nome dele é Gordon Peterson, com esse nome eu também ia preferir Indio).

Society também não é do Eddie Vedder, foi composta por um cantor-compositor americano chamado Jerry Hannan, mas aqui é o Eddie que canta e é isso que interessa.

Vamos analisar o que Society tem a nos dizer.

Essa música foi composta para a trilha sonora de na Na Natureza Selvagem. O filme conta a história do Christopher McCandless um rapaz que buscava uma vida anti materialista. Depois que se formou na universidade resolveu doar seu dinheiro para uma instituição e foi ver onde a vida o levava pelas estradas dos Estados Unidos até chegar no Alasca. Ele passa por muitas situações: enchentes que o pegam de surpresa, vive num trailer numa comunidade, faz caiaque no Grand Canyon, trabalha numa fazenda para ganhar din din (o mínimo para sobreviver), mora com um senhor e aprende a trabalhar com couro, trabalha num restaurante fast food, etc. Quando chega no Alasca vive sua última aventura num lugar onde ele depende exclusivamente da natureza (selvagem).

It's a mystery to me
We have a greed
With which we have agreed
You think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Em um momento do filme ele vai parar em Los Angeles, chega em homeless town (uma area do centro de L.A. que é cheia de mendigos) e arranja um lugar para deixar as coisas. Passeando pela cidade Chris vê num bar um yuppie que poderia ser ele e então decide ir embora da cidade grande. Ele pega uma carona num vagão de trem mas é pego pelos seguranças no meio do caminho e apanha um bocado.

Ele vai para estrada pedir carona e corta para cenas lindas dele no Alasca e essa música começa a tocar.

A música começa dizendo que é um mistério esse acordo que temos (nós a sociedade) em que todos temos que ter essa ambição/ganância de ter mais do que precisamos. Que a liberdade (ou a sensação de) só vem quando temos tudo.

Society you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me

No filme tem uma parte (quando ele está trabalhando na fazenda) que ele faz um meio discurso dizendo que quer ir para natureza selvagem do Alasca porque quer sair "dessa sociedade doente". Chris diz que não entende como as pessoas podem ser tão más umas com as outras, julgando e controlando, pessoas cheias de hipocrisia.

Então o refrão não poderia ser outro: Sociedade, sua louca, espero que eu não esteja fazendo falta.

When you want more than you have, you think you need
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
'Cause when you have more than you think
You need more space

Aqui uma reflexão sobre querer mais do que tem e querer mais do que precisa. E que quando você pensa mais do que quer os pensamentos sangram (no sentido de derramar, transbordar). E aí ele diz que precisa de um lugar maior porque quando se tem mais do que se pensa você vai precisar de mais espaço.

Essa estrofe é um convite ao minimalismo

Lembrei da outra música que analisei: Everything Now que em uma estrofe diz: "Quero e preciso de tudo agora, até cada quarto da minha casa estar cheio de porcarias que não pude viver sem".

Society you're a crazy breed
I hope you'r not lonely without me
Society, crazy indeed
I hope you're not lonely without me

O Chris tinha muitos problemas com os pais, muitas diferenças especialmente com o pai. A história da família é contada em partes ao longo do filme pela irmã dele. A irmã conta que durante essa viagem ele nem se comunicava, nada de cartas nem telefonemas.

Sociedade, uma raça louca, louca de fato. Espero que não estejam solitários sem mim.

There's those thinking more or less less is more
But if less is more how you keeping score?
Means for every point you make your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that...

Aqui é uma tentativa de entender como é que a sociedade funciona com aqueles que pensam (mais ou menos) que menos é mais. Acho que é uma crítica as pessoas que tentam manter um estilo minimalista pero no mucho. Então a pergunta: "se menos é mais como é que vocês contam os pontos? Para cada ponto que você faz seu nível cai? Começa do topo? Assim não pode." Essas pessoas que continuam vivendo na sociedade louca, então não estão livres do julgamento e controle das coisas que são quase que impostas pela sociedade, essa tal contagem de pontos.

O Chris McCandless trabalhava só para ter o mínimo de dinheiro. Quando ele trabalhou na fazenda até ganhou um bom dinheiro, foi gastar se divertindo e em um momento do filme ele escreve para o cara da fazenda (que foi preso) e diz que vagabundiar com o dinheiro que ele recebeu é fácil e afirma que os dias eram mais emocionantes quando ele não tinha um centavo no bolso. O Chris radicalizou na sua busca por uma vida só com o mínimo e o essencial, pela liberdade definitiva (se é que isso existe) mas ele também era viciado em emoções.

Society you're a crazy breed
I hope you'r not lonely without me
Society, crazy indeed
I hope you're not lonely without me
Society, have mercy on me
I hope you're not angry if I disagree

O refrão mais uma vez, mas agora ele acrescenta: Sociedade, tenha pena de mim, espero que você não tenha raiva se eu discordar.

Vamos filosofar nessa frase.

Claro que não concorda com as regras da sociedade tanto que decidiu viver na natureza selvagem, livre, leve e solto. Acontece que, na música, ele pede compaixão para si mesmo, será isso ironicamente? Ou um entendimento que a sociedade pode achar tudo isso uma maluquice e pede pena? Afinal ele diz "Espero que você não esteja solitária sem mim", não se sintam abandonados. É uma contradição: ele não quer fazer parte da sociedade (do jeito que é) mas não quer ser esquecido. No filme ele diz que vai viver essa aventura e depois quem sabe escrever um livro, então ele tinha a intenção de voltar para essa nossa sociedade louca.

Pelo o que o filme mostra o Chris McCandless era cheio de empatia, bondoso e carismático. Todos que cruzaram seu caminho o adotaram de alguma forma: como filho, como neto, como amigo. Ainda assim ele decidiu seguir seu caminho sozinho.

O fim do filme, e da vida do Chris McCandless, é trágico. Quando ele chegou no Alasca e foi para o meio do mato ele não foi preparado para muitas coisas. Ele achava que iria encontrar tudo na natureza (e nos livros sobre a natureza) e não contava com adversidades num lugar que ele não conhecia e acabou morrendo de fome.

Não é uma história com final feliz mas é inspiradora em muitas partes.

Encontrei um video da música no youtube que tem cenas do filme (que está na Netflix). A fotografia desse filme é linda.

1.8.17

Praia da Peroba - CE

praia da peroba

Aqui no Ceará, a partir de Fortaleza, o litoral se divide em praias do Oeste (Jericoacoara, Taíba, Paracuru, etc) e praias do Leste (Canoa Quebrada, Caponga, Morro Branco, etc).

falésias e coqueiros
dunas também

A Rota do Sol Poente (Oeste) são as praias de dunas e largas faixas de areia. A Rota do Sol Nascente (Leste) tem todas as praias de falésias do estado até a fronteira com o Rio Grande do Norte.

no alto da falésia

Nesse fim de semana fui conhecer algumas praias na Rota do Sol Nascente.



Ficamos em Peroba, que fica a 190km de Fortaleza. É uma vila de pecadores de lagosta que hoje já tem algumas casas de veraneio. A praia é pequena e é muito agradável. A badalação passa longe.

peroba com mar a direita
jangada na porta de casa
veraneio (que é o ano inteiro)
peroba com mar a esquerda

A nossa pousada ficava em cima da falésia e tinha uma vista maravilhosa. Na vila da Peroba não tem restaurantes nem barracas, mas a pousada incluía café da manhã e oferecia jantar.

nascer do sol da pousada
essa vista
por do sol

Do lado da Peroba fica a Praia da Redonda, outra vila de pescadores mas maior e com mais estrutura de casas, pousadas e restaurantes.

redonda
cores da falésia

Do lado da Redonda fica a Ponta Grossa que tem falésias e dunas lindas. A Ponta Grossa tem uma mini vila com umas duas barracas de praia e uma pousada.

ponta grossa do alto da falésia

Com a maré baixa dá para andar da Peroba até a Ponta Grossa, passando pela Redonda, e deve dar uns 5km.

suada no alto da duna

Icapuí é a cidade principal onde ficam essa praias e nós passamos por lá para almoçar em outra praia chamada Requenguela que fica num mangue. É daquelas praias que quando a maré está baixa o mar fica longe pacas.



O mangue tem uma passarela de madeira para andar por dentro das árvores.



E em Icapuí tem uma salina que foi onde terminamos nossa viagem tirando umas fotos na montanha de sal.

salto na montanha de sal