21.7.17

Analisando a música: Cold Day In The Sun (Foo Fighters)

Quando estava em Londres a Helô me pediu para analisar essa música e pedido de leitora amiga é atendido.

Essa é a segunda música do Foo Fighters que aparece aqui, a primeira foi Everlong.

Foo fighters nasceu depois que o Nirvana subiu no telhado com a morte do Kurt Cobain e o Dave Grohl decidiu ter sua própria banda.

Acho essa banda muito divertida e como escrevi no outro post:
 "...os caras são simpáticos, não se levam muito a sério (os videos são ótimos!), tocam um rock n' roll muito digno e levam isso ao seu público."
Em 2014 a banda fez uma série-documentário na HBO (dirigida pelo Dave Grohl) sobre a gravação do seu album Sonic Highways em várias cidades americanas. É uma ótima série para ver como um album é produzido, de onde vem a inspiração de algumas músicas, história da música americana e conhecer melhor a banda. Recomendo.

Os caras são tão legais que inspiraram um projeto onde 1000 músicos tocaram Learn To Fly (a sequencia de baterias nesse video é incrível) em Cesena na Itália para que a banda fosse fazer um show lá. Dave Grohl respondeu e a banda foi.

Falei das baterias no video porque as músicas do Foo Fighters tem sempre uma bateria marcante, afinal Dave Grohl é um dos melhores bateristas do mundo do rock.

Acontece que nessa banda o Dave Grohl pegou a guitarra e foi para os vocais. No primeiro disco o Dave Grohl executou todos os instrumentos mas ele se deu conta que para tocar ao vivo precisava de outras pessoas. Primeiro baterista foi o William Goldsmith que não deu muito certo. Aí para executar a bateria o Dave chamou Taylor Hawkins, que tocou no tour de Jagged Little Pill com a Alanis Morissette antes de aceitar o emprego com os Foo Fighters.

O Taylor Hawkins é um excelente baterista, tanto que está na banda até hoje e segura muito bem a onda na frente do Dave Grohl.

A música analisada da vez é uma das poucas que o Dave Grohl não compôs e nem canta. Essa música é do Taylor Hawkins. Cold Day In The Sun foi um single lançado em 2005 e está no In Your Honor, o quinto album do Foo Fighters. É um album duplo que tem uma parte de músicas de rock mais pesadas (Best of You, Resolve, No Way Back) e outra parte de músicas mais leves e acústicas.

Cold Day In The Sun está no lado acústico do album. Taylor Hawkins nasceu no Texas mas cresceu na California, então essa música tem uma pegada mais leve com uma bateria marcante.

Vamos saber sobre o que é essa música com uma batida gostosa, daquelas que você se vê pegando a prancha de surf e indo à praia. Inclusive lembra algumas das músicas dos Eagles.

Took a high dive into your brain
And you made your lonely calls
Just might wear your welcome out if you don't let it go

Quero começar dizendo que tocar bateria e cantar ao mesmo tempo é para poucos e o Taylor Hawkins faz isso muito bem. Dito isso, confesso que não conhecia essa música até a Helô me pedir para analisar. Na verdade eu só conhecia as músicas do lado mais pesado do album.

Olhei 10 sites de letras de música as primeiras 2 linhas dessa letra são diferentes em vários lugares. Metade diz que é "Took a high dive into your brain/And you made your lonely calls" e a outra metade diz que é "Take a high dive into your brain/ Made your only cause". Teve um site que disse que era "Take a high dive into your brain/ And make you only cost". Fiquei confusa, escutei várias vezes para ver se entendia direito, mas fui na que me pareceu fazer mais sentido.

O pessoal do forum acha que é sobre problemas, talvez fim, de relacionamento, não necessariamente amoroso, pode ser uma amizade conturbada.

Ele começa dizendo que a pessoa deu um mergulho (bem do alto) no seu próprio cérebro, ou seja, foi fundo, e tomou suas próprias decisões. E emenda "Você pode não ser mais bem-vinda se não deixar para lá.". Deixar o que para lá? Qual foi o babado? Fiquei curiosa.

There's nothing that you couldn't say
'Cause you said it all before
Think it's time you walked this lonely road all on your own

"Não tem nada que você já não tenha dito e acho que está na hora de seguir esse caminho solitário desacompanhada." Vai na frente que ele não vai atrás.

So it's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

"Então é seu dia frio sob o sol." Traduzindo: não tem calor de raios solares que vai aquecer a situação em que essa pessoa se encontra. A luz do sol chega fraca no fundo do poço. O coração partido já venceu a parada.

I wish I could take it away
Save you from yourself
You get so lost inside your head like no one else
Looking for someone to blame?
Blame me all along
You take the heat but you would never take the fall

Vamos ver se entendi até agora. Houve algum desentendimento entre essas pessoas e nosso narrador está falando para esse amigo/amiga/amante/namorada que a situação não é boa. Que a pessoa está indo numa direção sombria e ele não está a fim de acompanhar.

Mas nessa estrofe ele se propõe a ajudar, diz que gostaria de tirar todas as coisa ruins, e de salvar essa pessoa de si mesma porque ela se perde dentro da própria cabeça.
E ainda pergunta se ela quer alguém para culpar e e diz que pode culpá-lo porque aparentemente ela aguenta a pressão mas nunca assumiria a culpa.

It's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

Refrão. Um dia frio sob o sol. Talvez essa música seja sobre depressão.

You're so afraid that you are the only one
But you are the only one you know
Don't be afraid 'cause you're not the only one
You're not the only one I know

Nessa parte da música a fase tormenta do relacionamento passou e ele só quer ajudar. Ele entende que a pessoa se sente solitária mas ele a conforta dizendo que ela não está sozinha.

Aqui ele canta a música num tom mais alto como se fosse uma segunda voz, como se fosse um mantra.

It's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

It's your cold day in the sun

Que é apenas o dia frio sob o sol, a tristeza está dominando, mas pela batida animada e pelo solo de guitarra (violão) acho que tem uma luz aí no fim do túnel.

Vamos ser otimistas, pegar as pranchas, ir até a praia e ver se tem onda no mar.




Esse segundo video é uma das várias vezes que o Foo Fighters tocou no programa do David Letterman (ele é fã).

18.7.17

Londres (2)



Depois de fazer o tour das cidades com a letra B, voltei para Londres.


Dessa vez fiquei em Greenwich que é um bairro mais afastado do centro (mas ainda na zona 2). Greenwich parece uma cidade do interior, os prédios são baixos, tem mercado, lojas e cafés locais.

downtown greenwich

Em Greenwich fica o Observatório e a linha que separa o leste do oeste. O Observatório fica no alto do belíssimo parque de Greenwich e é aberto a visitação. Até 1948 o astrônomo real residia lá e fazia suas observações e experiências.

medidas
oeste e leste

Dentro do observatório tem a casa dos astrônomos e praticamente toda a história do relógio.


Em Greenwich tem o  Royal Naval College, prédios imponentes que ficam a beira Rio Tamsia que inicialmente funcionavam como o Greenwich Hospital (de 1692 até 1869).


A Queens House foi construída entre 1614 e 1617 para a Rainha Anne da Dinamarca, que era esposa do Rei James I, era a casa de campo dela. Reza a lenda que quando o hospital estava sendo construído a Rainha Mary II proibiu que a vista da Queens House do rio fosse tapada.

queen's house com vista garantida entre os prédios

Dentro da Queen's House tem as melhores pinturas com o tema mar, navegadores e afins.


Greenwich tem o Cutty Sark um navio museu e também o Museu Maritimo.


Fiquei em Greenwich para conhecer melhor o lado leste da cidade, e também a parte sul. Fui na O2 arena (que fica em North Greenwich) para ver uma exposição de Star Wars.


Fui até Stratford que é onde tem o parque Olímpico que foi construído para as Olimpíadas de 2012.

velodromo

Em Stratford encontrei meu primo André, primo Richard e o Michael, e fomos andar de bicicleta pelo parque. O dia estava lindo, o parque estava cheio de gente e adorei ver como as pessoas da cidade estão usando a área e as instalações olímpicas (a piscina e o velódromo são abertos ao público).


O prédio do parque aquático é lindo.

de longe parece uma raia

Até a escultura do Anish Kapoor que sempre achei esquisita nas fotos e filmes achei interessante ao vivo. Pena que não deu para usar o escorregador, não tinha mais ingresso para o dia.


Tomamos algumas cervejas num rooftop e foi muito divertido.

antes da cerveja
depois da cerveja

Eu que tinha uma antipatia por Canary Wharf (um bairro construído para ser de negócios) andei tanto por lá (indo e vindo de Greenwich) nesses dias que passei a simpatizar.

Andei também na parte sul da cidade, passei pela Tower Bridge e Torre de Londres.

shakespeare's globe

Fui até o Imperial War Museum, museu da guerra que não conhecia. Ninguém sai de lá muito animado, mas o museu é excelente.


Conheci pubs novos. Fui no Prospect of Whitby que é um pub histórico (está ali desde o Henrique VIII) a beira rio. Fui numa gravação do Papo de Pub no Hawley Arms que era o pub frequentado pela Amy Winehouse em Camden. E não poderia deixar de entrar num pub chamado John Snow.



E voltei ao Soho, Covent Garden e a Shoreditch.

soho square sempre cheia



Até a próxima Londres!



17.7.17

Bath


A última cidade na lista da letra B é Bath.


Bath fica a 12 minutos de trem de Bristol, e fui passar o dia lá.

e fui nesse trem de UM vagão

É uma cidade que por muitos anos era um destino para quem ia atrás das águas quentes. A cidade tem três nascentes de águas termais.


Em Bath até teve uma casa de banhos termais na época dos romanos, que ficou soterrada por uns mil anos e foi redescoberta no século 18 e hoje é um museu.

entrada das roman baths

Gostei da visita as Roman Baths. Tem um audioguide com vários tipos de narração (tem narração didática e narração de atores - essas são as melhores), tem algumas atrações interativas e até atores vestidos de romanos.

água quente pacas!

Bath é uma cidade com uma arquitetura própria. Tem vários conjuntos de casas num estilo meio neoclássico (com muitas colunas) da época georgiana (1720-1840) que formam círculos, meio círculos e longos quarteirões.

the circus é um circulo de prédios com uma
praça no meio
the paragon

O Royal Crescent é um exemplo clássico da arquitetura de Bath.

royal crescent

A catedral de Bath tem um dos tetos mais bonitos que já vi. É para andar olhando para cima o tempo todo.


A Pulteney Bridge é uma ponte com comércio dos dois lados, quando está passei por ela nem me dei conta que era uma ponte.

lojinhas na ponte

E não podia deixar de falar que Bath é considerada uma das cidades da Jane Austen. Ela morou em Bath em alguns períodos da sua vida e em vários lugares da cidade. Bath está presente em dois de seus livros: Persuasão (que acho muito bom) e Northanger Abbey.

estavam fazendo esse livro de flores da jane austen no parque
entrada do jane austen centre

Fui no Jane Austen Centre que é uma espécie de casa museu, mas não é a casa onde ela morou (mas é perto). Não achei esse centro muito interessante, lá tem atores que contam a história da Jane Austen (a que nos atendeu estava fantasiada de Lydia Bennet de Orgulho e Preconceito) e depois tem uma exposição muito pequena sobre a Jane Austen e alguns hábitos da época. Só. Nem a lojinha é boa.

como dar dicas ao interesse amoroso
usando um leque

para escrever com pena igual a jane austen
(fiquei com a mão toda suja de tinta)

prefiro heathcliff

A minha expectativa era de uma cidade bem pequena mas Bath é maior do que esperava. É um passeio agradável, tem bastante coisa para ver, tem história, tem alguns museus e tem áreas verdes. O centro histórico é cheio de lojas de rede (e lojas locais) e tem muitos cafés e restaurantes.