20.2.18

Black Panther

Esse é o 2671460174º filme da Marvel, e dessa vez capricharam.



O Pantera Negra surgiu no confuso Guerra Civil depois que seu pai foi assassinado em uma reunião da ONU. No fim do filme da picuinha entre os Avengers, o Pantera Negra chega para colocar ordem na casa e ainda dá uma mãozinha para o Capitão América guardando seu amigo Bucky em Wakanda para ele se recuperar.

O filme do Pantera Negra começa pouco depois dos acontecimentos de Guerra Civil. Ele está em Wakanda e precisa passar pelo ritual para ser Rei. O ritual consiste em perguntar as outras tribos se alguém quer desafiá-lo pelo trono. Teve um lá que tentou, o M'Baku (que depois salva o dia), mas o T'Challa (nome do Pantera Negra quando ele não está com uniforme) mostra que é o cara acerto para o trabalho, mesmo sem os poderes do Pantera Negra que tiram dele para o desafio e devolvem depois que ele ganha.

(Aqui tenho que dizer que os poderes do Pantera Negra vem de planta que surgiu no solo de Wakanda depois que o meteorito de Vibranium caiu por lá.)

E assim conhecemos Wakanda, esse país maravilhoso na Africa que tem muita tecnologia e modernidade. A Africa futurista é muito bacana. Isso tem até um nome: Afrofuturismo. Wakanda é tecnologicamente avançado e seus habitantes vivem todos bem e felizes, até a galera da fronteira que trabalha em fazendas e protege o escudo que esconde a cidade moderna.

(status: pesquisando como chegar em Wakanda)

Acontece que para o resto do mundo Wakanda é apenas mais um país pobre africano de fazendeiros. A faceta avançada e futurista tem que ser escondida porque os locais tem medo do que o resto do mundo pode fazer se descobrir que eles tem uma caverna quase infinita do metal poderoso.

Aí entra o vilão do filme. Inicialmente dá a entender que o vilão vai ser o homem branco, Klaue, que só quer explorar o metal e vender para quem pagar mais. Logo descobrimos que o rapaz que ajuda o Klaue a roubar uma picareta de vibranium do museu, tem outros planos que incluem ir até Wakanda e disputar o trono.

E quem é esse rapaz na fila do pão de Wakanda? Ele é Erik Killmonger, filho de um wakandiano (wakandiense?) importante que saiu do país, viu a realidade fora da sua Africa futurista, e achava que poderia ajudar (ou conquistar, depende de quem está contando a história) o resto do mundo usando o vibranium. Killmonger compartilha das ideias de seu pai e quer distribuir o metal precioso estrategicamente pelo mundo. Então vai lá desafiar o T'Challa pelo trono.

É basicamente isso, é bem feito e bem contado. Esse é um dos melhores vilões da Marvel. Palmas para o Michael B Jordan que faz esse personagem lindamente.

As mulheres nesse filme são maravilhosas. Tem a Okoye que é a general das tropas do Rei e ela sabe usar uma lança (e despreza armas de fogo). Tem a Nakia que é uma espiã e idealista dona do coração do Pantera Negra (tanto que o deixa com joelhos fracos). Nakia é quem toma todas as atitudes certas na hora do perrengue. Tem a Shuri que é a irmã do Pantera Negra e apenas a responsável por todas as coisas tecnológicas de Wakanda, sem perder o ótimo senso de humor.

Gostei desse filme, tem coisas de todos os filmes da Marvel e ao mesmo tempo muda o cenário e as motivações. Trilha sonora excelente que vai dos tambores africanos a um rap/hip hop bem inserido.

A Tia Helô iria ficar passada com tanta modernidade em Wakanda. 517 "Ai, Jesus!" para a peruca usada como arma.



16.2.18

+ Filmes

Phantom Thread (Trama Fantasma)

A dupla Paul Thomas Anderson e Daniel Day Lewis rende ótimos filmes (vide There Will Be Blood). Coloca o Jonny Greewood (do Radiohead) fazendo a trilha sonora e só melhora.

A história é sobre Reynolds Woodcock um estilista/costureiro da alta sociedade inglesa na década de 1950. Ele é um gênio na sua arte e é uma pessoa que se dedica totalmente a ela. Os seus relacionamentos não duram porque sua atenção não pode ser dividida. As pessoas na sua vida tem lugar e movimentos certos (como um jogo de xadrez).

Um dia Reynolds conhece a Alma, uma garçonete que desperta o interesse dele e o inspira a criar mais vestidos.

Esse relacionamento está fadado ao fracasso já que ele fica entediado facilmente (e sua irmã faz suas vontades ao mesmo tempo que leva a empresa adiante, e ela é ótima!), mas Alma é mais sagaz do que imaginamos.

People are strange.

Gostei desse filme.

A Tia Helô iria gostar das roupas, tudo da época dela. 215 "Ai, Jesus!" para os segredinhos que ele costura nas roupas.


All The Money In The World (Todo o Dinheiro Do Mundo)

O Jean Paul Getty foi em algum ponto o homem mais rico de todos os tempos ever. Dono de uma conglomerado de empresas no ramo do petróleo, ele fez muito dinheiro quando foi explorar o que tinha no Oriente Médio antes de todo mundo. Ele até aprendeu a falar árabe para negociar melhor.

O filme é sobre o sequestro de um dos netos do JP Getty na década de 1970. O rapaz foi pego em Roma (a família morava na Itália na época) e os sequestradores começaram pedindo 17 milhões de doletas.

Acontece que eles não contavam com a mão de vaca faraônica do JP Getty. Quando a mãe do menino (a nora) foi pedir o dinheiro ele disse que não pagava e ponto. Contratou um negociador para ver até onde os sequestradores iam.

Essa mesquinharia do JP é mostrada no filme através de detalhes e na insistência dele de que tudo é negociável e ninguém tira nada dele.

Uma coisa o JP tinha: bom gosto para arte e nisso ele gastava seu dinheiro. Depois que ele morreu construiram 2 museus de arte em Los Angeles: um, o Getty Center, eu visitei e é maravilhoso; o outro, o Getty Villa, ainda não conheço.

Esse foi o filme que o Ridley Scott, faltando um mês para o lançamento, resolveu refilmar todas as cenas que tinham o Kevin Spacey e o trocou pelo Christopher Plummer (que era quem ele queria inicialmente).

Acho que por conta de toda essa troca o filme perdeu um pouco do ritmo, achei tudo muito escuro e o sequestrador poderia ter sido menos vilão da Disney.

Mas a indicação do Christopher Plummer é justa.

A Tia Helô iria gostar do JP Getty, homem que lava as própria cuecas e meias. 316 "Ai, Jesus!" para todo esse dinheiro.

14.2.18

Enquanto isso em PyeongChang...

Há 4 anos quando teve as Olimpiadas em Sochi escrevi o seguinte:

Adoro as Olimpíadas, de verão e inverno. Confesso que conheço pouco dos esportes de inverno, por motivo de: moro no nordeste do Brasil e, vamos combinar, o máximo de esporte de inverno que vejo por aqui é arremesso de cubos de gelo.
Mesmo assim acompanho quase tudo pela TV. Adoro as roupas tecnológicas coloridas (e coladas), bochechas rosadas e de ver a neve branquinha enquanto suo de calor. Como disse antes: gosto de todos os esportes. Da velocidade do esqui, das manobras do snowboard, das coreografias da patinação, da testosterona do hockey e até da precisão do curling.

E isso continua verdade.

As Olimpiadas de PyeongChang também começaram com polêmica: a Russia foi impedida de participar por conta do escandalo de doping mas alguns atletas que não estavam envolvidos puderam participar, então assim nasceu OAR - Olympic Athletes Russia. Eles competem mas sem a bandeira da Russia.

Outro acontecimento foi a participação da Coréia do Norte que mandou a irmã do ditador para ser simpática. As duas Coréias entraram juntas na abertura com uma bandeira que tinha a peninsula como símbolo.

Falando na abertura: foi bontinha, cheia de tecnologia, mas o que chamou mesmo atenção foi o atleta de Tonga (o mesmo das Olimpiadas do Rio) que veio carregando a bandeira de seu país shirtless besuntado em óleo num frio de menos 5 graus. Mito.


Nos esportes a americana Chloe Kim de 17 anos foi a sensação dos primeiros dias, ela ganhou medalha de ouro no snowboard halfpipe e, pelo o que entendi, ela é a Phelps desse esporte.

chloe na manobra

Shaun White é o Phelps do snowboard masculino. Ele foi tricampeão em PyeongChang ganhando do australiano sensação e de um japonês com zero esportiva que fez cara de bravo no pódio.

shaun voando

O curling continua agradando, eu nem sabia que tinha tantas categorias (duplas mistas, duplas, times, etc).

Vi o esqui alpino que acho emocionante com toda aquela velocidade morro abaixo, o esqui estilo livre que dá dor nos joelhos só de ver aquele balanço e ainda tem o esqui slalom.


Os holandeses ainda dominam a patinação de velocidade.


Os alemães estão na frente no quadro de medalhas.

A patinação artística, por enquanto, só teve a competição por equipes (todas as categorias competem juntas valendo uma medalha pelo país). O americano Adam Rippon patinou lindamente, sem cair, e ficou em terceiro, perdendo para o russo que caiu 2 vezes (mas foi expressivo) e para o canadense da escola de interpretação do Cigano Igor que caiu uma vez. Tem treta aí hein? Vamos ver o que acontece na patinação masculina.

as linhas do americano
tá assustado canadense?

A patinação feminina é a última. Só vi a americana Mirai Nagasu na competição por equipes e ela foi a primeira americana (e terceira mulher) a fazer um triple axel numa competição olímpica. Ênfase no "olímpica" porque a primeira americana a fazer esse salto em uma competição foi a Tonya Harding. (Assitam I, Tonya)

comemora mirai, mas ainda tem a competição feminina.

E a primeira mulher a fazer esse salto em Olimpiada foi a japonesa Midori Ito em Albertville 1992, a segunda foi a, também japonesa, Mao Asada em Vancouver 2010.

Ontem vi a primeira fase das duplas e teve a dupla da Coréia do Norte no gelo. Eles se classificaram competindo mesmo (a maioria dos atletas norte coreanos entraram por cota do país sede). Dois fofos que patinaram ao som de A Day in A Life dos Beatles. Foram bem e se classificaram para disputar medalha. Nessa competição gostei da dupla italiana e da dupla alemã, mas os juizes devem gostar de gente sem expressividade e deram mais pontos para os canadenses e chineses. A final é hoje a noite (depois coloco um update aqui).

UPDATE: Os campeões da patinação artística em pares foram os alemães que patinaram lindamente e sem erros, até bateram recorde de pontuação. Em segundo os chineses (com queda e erros) e em terceiro os canadenses (com alguns erros).

13.2.18

Enquanto isso no Carnaval...

Até 5 anos atrás Fortaleza não era uma cidade de Carnaval. Pré-carnaval sim, muito, mas nos dias de Momo mesmo a cidade ficava tranquila e calma. Muitos estabelecimentos fechavam e até turistas eram poucos. Sempre teve pequenos blocos aqui e ali e o desfile de maracatu, mas em geral ninguém ligava muito.

Isso foi mudando. Hoje o carnaval é espalhado pela cidade, são vários blocos que conseguem reunir muitas pessoas e tem shows organizados pela prefeitura na Praia de Iracema. Os turistas estão vindo e as pessoas da cidade já não vão procurar carnaval em outros cantos.

Ainda é uma cidade tranquila, ruas ficam vazias e se você não vai trás do carnaval dá para ficar sem escutar um pandeiro ou tambor.

O que gosto do carnaval aqui é que sempre tem música com bandas e DJs que anima bastante. E dá para escutar a música porque tem palcos fixos e não é aquela coisa de andar pra lá e pra cá.

Inclusive o pessoal anda se dedicando mais as fantasias. Antes as fantasias só apareciam no Bloco do Sanatório Geral, mas depois que esse bloco acabou (a última edição foi em 2016), o pessoal que gosta de fantasia não desistiu, continuou se dedicando e assim estimulou mais gente a fazer o mesmo.

Esse ano fui a alguns blocos de carnaval e estavam todos muito animados. Hoje tem mais um, no centro, chamado As Gata Pira. Nunca fui nesse porque na terça-feira de carnaval já enchi o o saco de folia, mas esse ano criaram um grupo animado no whatsapp e todos foram convocados a comparecer.

Aqui estão algumas das fantasias que encontrei por aí.

eu de BB-Eita (essa minha fantasia
já está rendendo há 3 carnavais)
la casa de papel
alice in wonderland
pennywise deu uma passadinha 
nudes
clockwork
rei da noite e dany
com paquitos



22.1.18

+ Filmes

Filmes infantis pero no mucho.

Coco (A Vida é Uma Festa)

Uma animação da Pixar sobre a morte. Mas é a morte como os mexicanos celebram, cheia de cores e flores.

Miguel vem de uma família de sapateiros que não gosta de música, mas tudo que Miguel quer é tocar violão e ser famoso como o Ernesto de la Cruz, o cantor mais famoso do México que veio de sua cidadezinha. A família toda é contra, sua avó, Abuelita (claro), dá cada bronca toda vez que ele imagina em tocar uma nota. Sua bisavó Coco é uma velhinha fofa que só escuta o que acontece, e ela também já está ficando esquecida.

A birra da família do Miguel com a música é porque o pai da Coco abandonou a família para ser músico e nunca mais voltou.

Miguel decide que vai participar sim do show na pracinha da vila mas Abuelita quebrou seu violão, aí ele vai no cemitério pegar "emprestado" o violão do túmulo do Ernesto. Como tudo isso se passa no Dia dos Mortos, o dia em que os mortos podem vir para o lado de cá ver seus parentes (contanto que eles deixem fotos e flores), Miguel é levado para o outro lado porque tentou roubar um elemento de um morto. Chegando na cidade dos mortos ele encontra as outras pessoas da sua família que já morreram e precisa que eles o perdoem para ele voltar. Acontece que a Tataravó do Miguel diz que perdoa mas ele nunca mais vai poder tocar uma nota.

Miguel então vai atrás de outro parente: Ernesto de La Cruz que ele acredita que é seu Tatatravô e que vai entender sua vontade de ser músico.

O desenho é lindo, super colorido e claro que ninguém vai sair do cinema com os olhos secos.

A Tia Helô certamente está lá na terra dos mortos se divertindo, se depender do blog ela não será esquecida enquanto a internet existir. 22 "Ai, Jesus!" para todas aquelas caveiras.


Wonder (O Extraordinário)

Auggie é um  garoto que nasceu com um problema resultante da união de dois genes vindo de seus pais. Por isso passou por 27 cirurgias para poder ver, escutar e respirar, e as marcas estão em seu rosto.

Ele é ensinado pela mãe em casa mas ela acha que está na hora dele ir para escola. Então Auggie vai primeiro conhecer a escola com três alunos escolhidos pelo diretor. O Auggie vai vendo a escola, se anima com a sala de ciências e diz que vai frequentar a escola.

Claro que todas as crianças olham para ele, o acham esquisito, e criancinhas podem ser cruéis. Auggie consegue fazer amigos mas também se decepciona e aprende um bocado.

Julia Roberts faz a mãe dedicada, Owen Wilson faz o pai boa praça crianção (acho que a Julia Roberts estava criando 3 filhos) e tem a irmã que se sente um pouco de lado com toda atenção dos pais para o irmão.

O interessante nesse filme é que a história é contada de pontos de vista variados (não sei se no livro é assim porque não o li).

É um filme onde adultos e crianças podem aprender muito sobre como tratar os outros.

A Tia Helô iria se emocionar com o pequeno Auggie mas ela iria achar aquele professor muito moderninho. 3 "Ai, Jesus!" para a mãe do coleguinha que faz photoshop.





17.1.18

Analisando a música: Promises (The Cranberries)

Essa semana tivemos a notícia que a Dolores O'Riordan faleceu aos 46 anos. Ela era a vocalista da banda irlandesa The Cranberries. Quando fiz o sorteio de uma música para analisar alguém sugeriu Promises mas a que saiu no sorteio foi Everlong (Foo Fighters). Aí fiquei com vontade de fazer Promises mas nunca fiz. Gosto muito dessa música, tenho na minha lista de corrida e é a minha música preferida da banda, então esse analisando é em homenagem a Dolores O'Riordan.

The Cranberries se fomou em 1989 com um vocalista masculino e em 1990 foi substiuído pela Dolores O'Riordan que respondeu um anúncio no jornal e mandou umas versões para músicas que eles tinham feito.

O primeiro album da banda Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We, de 1993, é o único que tenho. São músicas bem melódicas e tem os dois dos maiores sucessos da banda: Dreams e Linger. Na época o grunge dominava as paradas (pelo menos no meu mundo, na minha fase grunge) e de vez em quando as rádios e a MTV jogavam uma música da The Cranberries só para variar um pouco, para dar um tempo nas guitarras pesadas e fazer um cool down com um pouco de rock britânico 80's com uma pitada de folk celta.

Não acompanhei a carreira deles depois desse primeiro album, mas sempre aparecia uma música aqui e outra ali. E assim escutei o hit número um da banda Zombie, e também Free To Decide, Just My Imagination, Ode To My Family e Promises (que é do album Bury The Hatchet de 1999).

A banda se separou em 2003 e voltou em 2009 (nesse meio tempo a Dolores teve uma carreira solo). Fizeram uma turnê em 2017 e estavam gravando algumas músicas em Londres quando a Dolores morreu.

A voz da Dolores O'Riordan é bem reconhecível. Ela canta com sentimento, dá para escutar uma certa insegurança e incerteza ao mesmo tempo que sai um som potente da sua voz. E é possível identificar o sotaque irlandês dela quando ela canta. A maioria dos cantores perde o sotaque quando canta, não sei por que, mas o Bono Vox que é do mesmo país que a Dolores canta sem sotaque.

As letras são variadas, tem música sobre amor (Dreams), sobre tragédias (Zombie) e, claro, fim de relacionamentos.

Todos que acompanham o Analisando aqui do blog já sabem que fim de relacionamento rende ótimas músicas. Promises é uma dessas.

Vamos saber que tantas promessas são essas.

You better believe I'm coming
You better believe what I say
You better hold on to your promises
Because you bet you'll get what you deserve

Essa música começa bem suave, com um uhuhuhuhuh que parece barulho de vento por 20 segundos e aí PAH! entra a guitarra com bateria.

E ela já começa dizendo (quase ameaçando) que é melhor acreditar que ela está chegando, acreditar no que ela diz e que deve manter as promessas que fez ou então pode apostar que vai ter o que merece. MEDO.

She's going to leave him over
She's gonna take her love away
So much for you eternal vows
Well, it doesn't matter anyway

Aqui entra uma mulher na história que não sei se é ela se referindo a si mesma ou a outra pessoa. Anyway, essa mulher vai deixá-lo e vai levar seu amor embora. As juras de amor eternas não serviam de nada. Olha, esse cara deve ter aprontado muito porque ela canta essas duas estrofes com muito sentimento.

Why can't you stay here awhile
Stay here awhile
Stay with me

Aí ela pede para ele ficar mais um pouco. Por que? Para que? Depois das ameaças e o fora ainda quer que ele fique?

Oh, oh, oh all the promises we made
All the meaningless and empy words
I prayed, prayed, prayed
Oh, oh, oh all the promises we broke
All the meaningless ans empty words 
I spoke, spoke, spoke

Esse refrão é ótimo! "E todas as promessas que fizemos, todas as palavras vazias e sem sentido que eu rezei. E as promessas que quebramos, todas as palavras vazias e sem sentido que falei." Pelo menos aqui ela diz que as promessas foram de ambos, e que os dois as quebraram.

(adoro a bateria intensa dessa música, é ótima para correr)

What of all the things that you taught me
What of all the things that you'd say
What of all your prophetic preaching
You're just throwing it all away

Aqui é o momento de jogar as coisas na cara. "E quanto a tudo que você me ensinou? E todas as coisas que você disse? Todo seu blá blá blá profético indo para o lixo." Miga, acho que você está fazendo a coisa certa em deixar esse cara.

Maybe we should burn the house down
Have ourselves another fight
Leave the conwebs in the closet
'Cause tearing them out is just not right

Mas aí acho que ela ainda não está pronta para se desfazer dessa relação, sugere mais uma briga e, quem sabe, talvez queimar a casa. Assim, um fogo básico.

"Vamos deixar as teias de aranha no armário porque tirá-las de lá não é justo."

Oi? O que as teias de aranha tem a ver com isso? Talvez seja ela dizendo para deixar o passado onde está.

Why can't you stay here awhile
Stay here awhile
Stay with me 


Oh, oh, oh all the promises we made
All the meaningless and empy words
I prayed, prayed, prayed
Oh, oh, oh all the promises we broke
All the meaningless ans empty words 
I spoke, spoke, spoke

Aí ela pede para ele ficar mais um pouco e manda ver no refrão até o fim. Com raiva. Para socar as almofadas.


O video é muito bizarro mas dá para ver sangue nos olhos da Dolores quando ela canta essa música. Sempre com sentimento.

É uma bruxa gótica perseguindo um cowboy que deve ter feito alguma coisa. Adianto que a bruxa ganha o duelo final.



16.1.18

+ Filmes

The Shape of Water (A Forma Da Água)

Gillermo Del Toro sabe fazer filmes com monstros, O Labirinto do Fauno é lindo. Nesse filme ele conta uma história de amor que se passa num laboratório do governo americano na década de 1960.

Elisa é uma mulher muda que trabalha de faxineira no laboratório. Um dia chega um novo ser para ser estudado (e torturado pelo vilão do filme). Esse ser aquático, de certa forma também mudo, começa a se comunicar com Elisa e surge uma amizade. Acontece que no meio da guerra fria tudo era motivo de desconfiança e Elisa pede ajuda a seu vizinho artista e sua colega de faxina para tirar o "monstro" do laboratório.

É sobre amor, sobre se sentir um peixe fora da água (literalmente no caso do monstro), sobre amizade, sobre aceitar as pessoas como elas são. Todos so personagens são bem construídos. A fotografia é linda e a trilha sonora idem.

A Tia Helô iria ficar desconfiada de tantas escamas caindo, 316 "Ai, Jesus!" para a cena do banheiro cheio de água.


Professor Marston and the Wonder Women

A Mulher Maravilha foi criada no meio da segunda guerra pelo psicólogo e professor William Marston. Ele e sua esposa Elizabeth Marston trabalhavam em Radcliffe (uma das faculdades de Harvard) e inventaram o detector de mentiras.

O filme conta a história de como o casal conheceu Olive, uma das alunas do Prof. Marston que foi ser sua assistente em um projeto e os três acabaram se tornando um trio. Foram morar juntos e ele teve filhos com ambas as mulheres que eram criados por todos. No filme mostra os paralelos entre a vida deles e o que ele levou para as histórias da Mulher Maravilha.

O filme também mostra um pouco do fim da era de ouro dos quadrinhos quando os moralistas americanos começaram a ver coisas nos quadrinhos que poderiam afetar as mentes jovens.

Gostei desse filme.

Nem preciso dizer que a Tia Helô iria ficar horrorizada com esse trio e iria concordar 100% com a mulher que investiga todo aquele bondage nos quadrinhos da Mulher Maravilha. 513 "Ai, Jesus!" para tanta gente enrolada em cordas.


The Darkest Hour (O Destino de uma Nação)

Esse filme conta a história dos 15 dias entre o Winston Churchill se tonar primeiro ministro em maio de 1940 e a retirada das tropas britânicas de Dunkirk que terminou no início de junho de 1940.

É todo focado em Winston Churchill e o Gary Oldman o faz com excelência mesmo com toda aquela maquiagem. O Churchill é retratado nesse filme com várias de suas peculiaridades (whiskey para o café da manhã, soneca a tarde, grandes discursos, uso magistral das palavras) e mostra que ele teve que tomar decisões difíceis e enfrentar um punhado de políticos que estavam dispostos a fazer paz com Hitler.

Acho que esse filme fica melhor se visto antes ou depois do Dunkirk do Christopher Nolan.

Dunkirk é um film experiência mostra toda a parte prática da guerra (te coloca dentro da batalha) mas nada dos bastidores e The Darkest Hour é todo bastidores e política. Um filme complementa o outro e aguardo alguém fazer um supercut com os dois filmes contando essa história.

Não sei o que a Tia Helô achava do Winston Churchill mas ele estava do lado certo. 213 "Ai, Jesus!" para aquela ligação para o Franklin Roosevelt pré-Pearl Harbor.

12.1.18

Analisando a música: You're So Vain (Carly Simon)

Vou começar o analisando a música de 2018 com esse clássico da Carly Simon de 1972.

Por que?

Por causa desse tweet:




Escuto essa música desde criança, tenho um vinil da década de 1980 chamado Women in Love e essa deve ser a faixa mais tocada. É a música tapa na cara antes da Alanis Morisette fazer You Oughta Know (só que Carly dá tapa na cara com luvas de pelica e Alanis chuta baldes). 

Acontece que eu NUNCA soube nem reparei que o Mick Jagger fez backing vocals nessa música. Como assim??

Descobri depois de ver esse tweet.

Além de ter o Mick Jagger na música, existe o mistério de quem é o moço na música para quem ela está cantando. No tweet diz Warren Beatty, mas reza a lenda que ele é apenas um numa lista que inclui outros. Aliás, em 2015 a própria Carly Simon disse que uma parte é sim sobre o Warren Beatty mas que "ele provavelmente acha que a coisa toda é sobre ele".

Esse "mistério" já rendeu até dinheiro para alguma instituição já que uma vez Carly Simon leiloou dizer quem era o rapaz da música.

Eu acho que não importa sobre quem é a música, inclusive acho que pode ser sobre várias pessoas, mas deve ser sobre mais de um cara mesmo porque haja vaidade para uma só pessoa.

Achei mais curioso saber que o Mick Jagger bateu um fio para Carly Simon quando ela estava no studio e perguntou "O que você está fazendo?" e ela respondeu "Estou gravando os backing vocals de uma música. Quer vir cantar?" e ele foi.

You're So Vain é do No Secrets (1972) o terceiro album da Carly Simon. Ela começou a carreira em 1971, e é uma longa carreira com alguns hits. Carly tem alguns Grammys, tem um Oscar por Let The River Run (do filme Uma Secretária de Futuro) e tem até uma música abertura do 007 O Espião Que Me Amava. Um dos discos dela que mais gosto é Coming Around Again de 1987.

Vamos analisar o recado que a Carly quis passar. Que tanta vaidade é essa?

You walked into the party
Like you were walking onto a yatch
Your hat strategically dipped below one eye
Your scarf it was apricot
You had one eye in the mirror 
As you watched yourself gavotte
And all the girls dreamed that they'd be your partner
They'd be your partner and...

Nessa música Carly Simon fala direto com o dito cujo. "Você entrou na festa como se tivesse entrando num iate." Será que ele estava vestindo roupas de marinheiro ou será que ele estava balançando porque já tinha bebido um pouco? OU era apenas aquela pose de extrema confiança de quem não vai cair quando o barco balançar?
E ela continua descrevendo: "Seu chapéu estava inclinado estrategicamente para tapar um olho." Como se isso fosse sinônimo de cool: tipo Frank Sinatra.


Ele usava um cachecol/lenço cor de damasco. Usar um lenço dessa cor não é para qualquer um.

Ele mantinha um olho no espelho enquanto dançava. E não é qualquer dança, é a gavota. O que diabos é gavota? Pois é, fui no google e descobri que é uma dança popular francesa em compasso binário (whatever that means) que estava em voga nos séculos XVII e XVIII. Carly Simon provavelmente usou essa palavra para rimar mas acho que ela quis ilustrar o nível de vaidade de uma pessoa que se olha no espelho enquanto faz essa dança barroca. Ele é quase a Elaine Benes dançando na festa da firma.

Vaidade nível: Extreme.

E como deve ser lindão todas as garotas sonham em ser seu par (creio que na dança e na vida).

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

"Você é tão vaidoso que provavelmente acha que essa música é sobre você. Aposto que você acha que essa música é sobre você." Carly ganha essa aposta porque ele tem certeza que essa música é sobre ele. E nós também.

You had me several years ago
When I was still quite naive
Well, you said that we made such a pretty pair
And that you would never leave
But you gave away the things you loved
And one of them was me
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee

Ela disse que esse é o verso do Warren Beatty. Ele tem fama de mulherengo desde sempre (até casar com a Annette Bening) e na música ela conta que "Você me teve há alguns anos quando eu ainda era bem inocente", ou seja, jovem Carly caiu na lábia do Warren (a diferença de idade entre os dois é de 8 anos). Ele, como bom galanteador, disse que faziam um belo par e que nunca a deixaria. Jovem Carly tolinha acreditou e foi deixada. Ela tinha sonhos que eram nuvens em seu café. Hã? Nuvens no café?

Pausa para apreciar um Warren Beatty circa 1967.



You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

É nesse refrão que entra Mick Jagger. E o que me deixou passada é que ele canta forte e alto, tanto que praticamente sobrepõe a voz dela. É super reconhecível mas eu nunca reparei. Agora depois que soube do fato só escuto a voz dele. E concordo com o tweet acima: a vibe dele é de total apoio a amiga. 

I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee

E aqui temos sonhos e as nuvens no café outra vez.

Segundo ela, essa frase veio de um voo que ela fez e o amigo do lado dela falou "olha as nuvens (refletidas) no seu café". Eles gostaram da frase, anotaram e ela usou na música e depois atribuiu o significado que é sobre essas coisas confusas da vida e do amor. 

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

Mr. Vaidade levanta a mão aê! (Será que Mick Jagger achou que a música era sobre ele e se empolgou?)

Well I hear you went up to Saratoga
And your horse naturally won
The you flew your Lear jet up to Nova Scotia
To see the total eclipse of the sun
Well, you're where you should be all the time
And when you're not, you're with
Some underworld spy
Or the wife of a close friend
Wife of a close friend, and..

Esse cara não é só bonito e cool, ele é muito rico. Claro que ele tem um cavalo de corrida vencedor que ele foi ver em Saratoga (norte do estado de NY) e depois pegou seu jatinho e foi ver um eclipse solar na Nova Escócia (Canadá). E ela diz "Você está onde deve estar o tempo todo." Bonito, cool, rico e timing impecável. Claro que ele é vaidoso.

Olha a Carly dando seu PAH! entregando ele aí no finalzinho da música. Mr. Vaidade também é um traiçoeiro já que quando ele não está onde deve, está com alguma espiã do submundo (ou espião, não vamos descartar nada desse cara) ou a esposa de um BFF. 

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

Carly Simon parece que não se importa muito com ele. #SQN Mas com a ajuda do amigo Mick Jagger ela chega no fim da música.



Nesse primeiro video (o oficial no youtube) ela canta ao vivo, então não tem Mick Jagger, mas no segundo que é só a música do album dá para escutar bem a voz dele a partir do segundo refrão.







8.1.18

+ Filmes

O Globo de Ouro foi ontem, todos vestidos de preto em protesto, Seth Meyers até que foi bem de apresentador, Oprah fez um discurso ótimo que só faltou anunciar sua candidatura, Three Billboards ganhou melhor filme drama (yeah!), Lady Bird melhor filme comédia (rolling eyes), Handmaid's Tale melhor série drama (óbvio), The Marvelous Mrs. Maisel melhor série comédia, Big Little Lies levou tudo, Gary Oldman ganhou o dele, a divertida Frances McDormand ganhou um, Sam Rockwell (adoro) também levou o dele e Guillermo Del Toro foi o melhor diretor (preciso ver Shape of Water!).

(lista completa aqui)

Então está aberta a temporada de premiações e até o Oscar (4 de março) ainda vou colocar uma penca de posts de filmes.


The Disaster Artist

Tommy Wiseau é uma pessoa que se ele não existisse de verdade ninguém iria conseguir criar. Ele é uma figura. Ninguém sabe de onde ele veio, quantos anos tem e de onde ele tem tanto dinheiro.

Em 2003 ele decidiu escrever, dirigir e financiar seu próprio filme já que não conseguia papéis em lugar nenhum. Tommy chamou seu amigo Greg para participar e fizeram The Room.

The Room é MUITO RUIM. Tão ruim que é engraçado. Tem na Netflix. Tão ruim que virou cult, passa em sessões da meia noite em vários lugares e Tommy já recuperou seu investimento inicial de 6 milhões de doletas.

The Disaster Artist é um filme que conta como Tommy e Greg se juntaram par afazer The Room. E é um ótimo filme. James Franco acertou em cheio o Tommy e consegue fazer a gente simpatizar com um cara tão estranho. É também um filme sobre amizade.

A Tia Helô iria desligar a TV com 5 segundos de The Room, mas acho que ela conseguiria ver até a parte que Tommy insiste que seu bum bum vai dar mais público. 519 "Ai, Jesus!" para esse homem tão peculiar.

James Franco ganhou um Gobo de Ouro por sua interpretação do Tommy Wiseau, eu diria que é uma imitação perfeita.


Uma Mulher Fantástica

Filme chileno sobre uma mulher, Marina, que vê seu namorado Orlando (que já é um senhor) passar mal depois de uma noite mais animada. Marina o leva para o hospital mas ele morre.

Ela passa, então, a ter que lidar com a família dele. O filho já foi logo pedir o apartamento de volta, a ex-mulher pede o carro e ainda diz que Marina não pode comparecer ao velório nem enterro.

Todos conheciam a Marina, todos sabia de sua existência e todos sabia que Orlando a amava, mas como Marina é uma mulher transgenero o preconceito dos familiares todo vem a tona depois da morte do Orlando.

Daniela Vega está ótima nesse papel. O filme é muito bom.

A Tia Helô nem iria desconfiar que Marina um dia foi Daniel. 129 "Ai, Jesus!" para os amigos truculentos do filho do Orlando.

5.1.18

+Filmes

Stronger (O que te faz mais forte)

Essa tradução do título em português parece livro da autoajuda.

Nesse filme o Jake Gyllenhaal faz o Jeff Bauman, uma das vítimas das bombas na Maratona de Boston em 2013. O Jeff é um cara boa praça que ainda mora com a mãe, trabalha num supermercado e tem uma relação iô-iô com sua namorada Erin.

Erin vive reclamando que ele não comparece a nada que não a apoia e no dia que ele resolve fazer isso...boom...vai direto para o hospital. Jeff teve as duas pernas amputadas acima dos joelhos mas viu um dos terroristas e deu seu depoimento a polícia. Jeff virou meio que herói e símbolo desse acontecimento e teve que lidar com a fama repentina junto com a fisioterapia e a adaptação a uma nova vida.

A Tia Helô iria gostar do Jeff. 416 "Ai, Jesus!" para as cenas pós-bombas.


The Florida Project (Projeto Florida)

Esse filme foi dirigido pelo Sean Baker que ficou conhecido por seu outro filme Tangerine que foi todo filmado com um iPhone.

Dessa vez o orçamento do Sean Baker foi maior e ele teve cameras profissionais e até o Willem Dafoe.

A história gira em torno de uma garotinha a Moonee, sua mãe e seus amiguinhos. Tudo passa em Orlando, mas na parte de Orlando em volta dos parques que se resume a hotéis mais baratos, estabelecimentos com fachadas duvidosas e avenidas muito largas com trânsito intenso.

Moonee mora com a mãe, que é jovem e vive de pequenos bicos, vende perfumes duvidosos, e de vez em quando faz um programa. As duas moram num hotel beira de estrada que é gerenciado pelo Willem Dafoe.

É a vida americana white trash como ela é (com pitadas de brincadeiras de crianças).

A atriz mirim que faz a Moonee é ótima!

Tem uns turistas brasileiros fazendo uma ponta que é muito engraçado.

A Tia Helô provavelmente daria umas broncas na Moonee. 238 "Ai, Jesus!" para tanta tinta rosa e lilás.


A Ghost Story

Esse filme é sobre uma história de amor. E é sobre o tempo. Um casal (Casey Affleck e Rooney Mara, não lembro o nome deles no filme) vai mudar de uma casa. Ele é super apegado a algumas coisas e ela é a encarregada de arrumar tudo. No início do filme os dois estão juntinhos abraçados no sofa falando sobre alguém que deixou vários bilhetinhos pela casa para outra pessoa achar.

Vemos a intimidade desse casal e algumas poucas discordâncias.

Um dia o personagem do Casey Affleck morre. Kaput. Acontece que ainda no hospital ele volta como fantasma. E não é fantasma tipo holograma que atravessa paredes, é um fucking fantasma de lençol com buraco nos olhos. Isso mesmo, uma fantasia de fantasma.

Confesso que adorei essa idéia!

Aí o fantasma volta para a casa. Ele é invisível para todos menos o outro fantasma de lençol estampado que mora na casa vizinha. Ele vê a Rooney Mara passando pela tristeza da perda. Depois ela vê que a vida segue e se muda mas não sem antes deixar um bilhetinho enfiado na parede.

O fantasma continua na casa, que agora tem uma família mexicana, e ele aprende a mexer nas coisas e deixar as crianças assustadas.

O tempo para o fantasma é diferente. Ele passeia pelo passado, presente e futuro, algumas coisas passam rápido e outras nem tanto. Ele está ali vagando até achar o que procura.

É a vida, o universo e tudo mais.

Esse é um filme de cenas longas, demoradas, muito silêncio, contemplativo. Inclusive é apresentado em um frame menor com bordas arrendondadas, quase um filtro do instagram.

A Tia Helô iria achar que o fantasma estava lá fazendo trick or treating. 517 "Ai, Jesus!" para a cena mais demorada EVER de alguém comendo uma torta.

3.1.18

+ Filmes

Dois filmes bem diferentes mas que tem como base o mesmo crime: uma mulher jovem estuprada e morta. Já adianto que são dois filmes excelentes.


Three Billboards Outside Ebbing Missouri (Três Anúncios Para Um Crime)

A Mildred (a ótima Frances McDormand) é um mulher que mora numa cidadezinha no interior dos USA e sua filha foi estuprada e morta. Sete meses se passaram do crime e nada foi feito, então Mildred decide usar os três outdoors (meio abandonados), na beira da estrada menor que leva até a cidade, para dar seu recado. Nos anúncios ela simplesmente pergunta diretamente para o chefe de polícia porque ninguém foi preso até agora.

E tome polêmica na cidadezinha que tem um policial racista e maluco (adoro o Sam Rockwell), tem o Tyrion de GoT, tem o filho da Mildred que está no meio do fogo cruzado, tem o Woody Harrelson fazendo o chefe de polícia e mais uma penca de personagens ótimos.

É um filme que me lembrou Fargo, não só pela Frances McDormand, mas por aquela coisa de eventos que vão acontecendo e as pessoas tomam atitudes baseadas em julgamentos rápidos dos outros.

É um filme com um certo humor (sim, dei risadas) e muita área cinza na ética dos personagens.

A Tia Helô iria simpatizar coma Mildred só até a cena com o padre. 617 "Ai, Jesus!" para os três anúncios.


Wind River (Terra Selvagem)

Nesse filme a jovem em questão é uma nativa-americana e o crime acontece no norte dos USA num lugar remoto que neva bastante.

A Jane, uma agente do FBI chega para investigar o crime na comunidade de nativos americanos e conta com a ajuda do Cory, um homem branco que foi casado com uma nativa e sua filha também morreu. Cory é uma espécie de rastreador. E é isso.

Os dois vão investigando o crime no meio da neve e nós vamos descobrindo os detalhes. Bem escrito, bem dirigido, bem feito.

O diretor desse filme, Taylor Sheridan, escreveu um dos filmes do ano passado que mais gostei: Hell or High Water (A Qualquer Custo). O roteiro de Sicario também é dele. É o rei dos westerns modernos e esse Wind River não fica atrás.

A Tia Helô não iria curtir muito o frio extremo, 427 "Ai, Jesus!" para Wind River.

1.1.18

+ Filmes

Oi 2018, tudo bem? Feliz ano novo! 

Vou começar o ano com um post de filmes porque assisti vários no fim de ano e os Golden Globes acontecem no próximo fim de semana.


I, Tonya

Lembro muito bem do incidente que antecedeu as Olimpiadas de Lillehammer em 1994. Nancy Kerrigan teve seu joelho estourado meses antes da competição e a polícia descobriu que o marido da Tonya Harding (e ela por tabela) estavam envolvidos.

Ambas patinaram nas Olimpiadas num dia que o mundo inteiro estava de olho, Nancy, que conseguiu se recuperar a tempo, ficou com a medalha de prata e Tonya em oitavo.

Esse filme conta a história da Tonya Harding em depoimentos (dela, do ex-marido, da mãe, do "segurança"). A mãe da Tonya é bizarra e a Allison Jenney está sensacional nesse papel. A Margot Robbie que faz a Tonya está excelente e tem uns 2 minutos de close up nela que vão valer várias indicações.

Gostei muito desse filme: tem humor, trilha sonora ótima, as cenas de patinação são muito bem feitas e no fim eu até simpatizei com a Tonya Harding.

A Tia Helô iria ficar assustada com a vida white trash da Tonya. 617 "Ai, Jesus!" só para a sequência dela com o marido.


The Battle of The Sexes (A Guerra dos Sexos)

Outro filme sobre mulheres no esporte e dessa vez é no tênis.

A Billie Jean King já tinha sido campeã várias vezes quando decidiu colocar a boca no trombone e exigir que as mulheres tenistas ganhassem o mesmo que os homens (premiação). Foi negada pela o pessoal da ATP e montou sua própria liga com as melhores tenistas da época.

O Bobby Riggs também tinha sido campeão nas quadras, já tinha se aposentado mas ainda gostava de um jogo (apostando claro). Ele era um fanfarrão que gostava de fazer polêmica para provocar uma aposta.

Bobby Riggs lançou um desafio as mulheres dizendo que elas não ganhariam dele. Billie Jean King disse: challenge accepted!

Esse filme é sobre esse jogo. As cenas nas quadras são muito bem feitas! O Steve Carrell faz o Bobby Riggs e você até acha que ele está fazendo Steve Carrell até ver um video do Bobby original e ver que ele era daquele jeito mesmo.

Emma Stone faz Billie Jean King.

(Tem um outro filme sobre o mesmo jogo, de 2001, com a Holly Hunter fazendo a Billie Jean.)

Não sei se a tia Helô gostava de tênis, mas acho que ela iria ficar interessada. 216 "Ai, Jesus!" para as raquetadas de Billie x Bobby.


Lady Bird

Esse é um filme sobre uma garota que vem de uma família que está em dificuldades (pai e irmão desempregados) mas ela tem uma bolsa numa escola católica de ricos. Lady Bird se acha muito criativa e tem alguns problemas coma a mãe (nada demais e quem nunca?). A mãe da Lady Bird é uma ótima personagem.

Lady Bird e sua BFF (que é ótima) vão fazer teatro e ela começa namorar o ator principal. Esse namoro não rende e depois ela tenta fazer parte da galera cool e arranja outro namorado.

Tudo que Lady Bird quer na vida é fazer faculdade em NYC porque ela está entediada em sua cidade e não aguenta mais o sol da California.

Esse filme é bom, mas é apenas mais um filme teen sobre uma garota que está se descobrindo e crescendo. Gosto da Greta Gerwig (que escreveu e dirigiu esse filme), mas ela é superestimada pelo pessoal de Hollywood.

Eu esperava um pouco mais desse filme, foi muito buzz promovendo. Esperava mais especialmente da trilha sonora depois que vi as cartas que a Greta Gerwig escreveu para os artistas pedindo para liberar as músicas para o filme. Não lembro de nenhuma música que tocou nesse filme. (Já as de I, Tonya lembro de todas).

A Tia Helô iria gostar da Lady Bird, afinal ela estuda numa escola católica. 123 "Ai, Jesus!" para o padre chorão.



26.12.17

Momento TOC Livros (11)

Esse ano li mais do que ano passado, não tinha colocado meta mas li 20 livros. Yeah! Mesmo com uma Netflix no meio do caminho.

O que foi novidade esse ano é que li 3 autobiografias, uma biografia e mais 3 livros que não são de ficção. Se alguém se der o trabalho de ver os últimos 10 Momentos TOC Livros vai ver que sou mais da ficção do que da não-ficção.

E o meu segundo caderno de livros já está preenchido. Já comprei um novo para começar 2018.

Então vamos aos livros desse ano.

- Born To Run - Bruce Springsteen - a autobiografia do The Boss do rock n' roll. Gostei da prosa dele e como ele falou de suas músicas. Fiz um post aqui no blog desse livro junto com o próximo.

- Rita Lee: Uma Autobiografia - a Rita Lee conta sua história quase como se fossem anedotas de uma tia nas festas de natal. No post falo mais sobre esse livro.

- Nutshell - Ian McEwan - nesse livro a história é contada do ponto de vista do feto que ainda está na barriga da mãe. Gostei desse livro.

- The Princess Diarist - Carrie Fisher - a querida Princesa Leia faleceu ano passado no meio do tour de divulgação desse livro. Carrie Fisher encontrou seus diários da época que filmou o primeiro Star Wars quando tinha 19 anos. No livro (que é uma espécie de autobiografia) ela começa preparando o cenário para que quando chegar nas páginas do diário de fato (e ela não mudou nada) já estamos inseridos em todo contexto. A escrita dela é deliciosa.

- 20 - Branca Sobreira - A Branca é minha amiga e esse é seu primeiro livro de contos. São 20 contos e tenho vários preferidos.

- Commonwealth - Ann Pachett - Esse livro conta a história de duas famílias e como as coisas ficam confusas quando o pai de uma família se apaixona pela mãe da outra família. Tem um evento num verão que deixa marcas por muitos anos em todos os envolvidos. Tem também um escritor que escreve a história dessa família e depois vira filme.

- Kubrick's GameDerek Taylor Kent - um livro sobre um jogo (quase uma gincana) em que todas as pistas são relacionadas com a obra do Stanley Kubrick. É mais interessante se tiver visto os filmes.

- Lilian Boxfish Takes a Walk - Kathleen Rooney - A Lilian é uma senhora de 85 anos que decide andar do restaurante para casa na véspero do ano novo (de 1985) em NYC. Nessa caminhada ela vai lembrando de sua vida de mulher independente numa época em que as mulheres tinham menos opções. Lilian trabalhou com propaganda, era poeta e nos seus 85 anos ainda frequenta festas hipsters em Chelsea.

- Histórias da Gente Brasileira Vol. 1 Colônia - Mary Del Priore - Sou péssima com história, lembro de generalidades mas nada específico. Assistindo Outlander tive uma conversa com um amigo (que contei num post) e fiquei preocupada que se, por acaso, voltasse para o Brasil Colônia eu não saberia nada. Então li esse livro para ficar por dentro da vida nessa época. O livro é quase um manual de sobrevivência no Brasil Colônia. No início achei confuso, poderia ter sido melhor organizado, mas depois entendi que a autora usou relatos que ela encontrou em escritos da época (cartas, jornais, etc) para fazer esse raio-x do Brasil. Algumas vezes até parece que estamos lendo uma coluna social. O impressionante é terminar esse livro e ver que pouquíssima coisa mudou de lá para cá.

- The Underground Railroad - Colson Whitehead - O vencedor do Pulitzer de 2017. Um livro sobre a rede de pessoas que se organizaram para levar escravos fugitivos (das fazendas no sul dos USA) até um lugar seguro. Na vida real essa Ferrovia Subterrânea era só de pessoas, estradas e lugares, mas no livro o autor criou mesmo estações subterrâneas e trilhos com vagões. No livro lemos histórias das diferentes pessoas envolvidas com a ferrovia subterrânea: os escravos, os brancos que ajudavam, os brancos que perseguiam, os negros que perseguiam a mando dos brancos. Histórias que se entrelaçam de alguma forma e no centro está Cora que é escrava numa plantação de algodão e decide fugir.

- A História da Menina Perdida - Elena Ferrante. O último livro da série das italianas dramáticas de Nápoles. Não estava muito afim de ler esse livro mas não achei ninguém que me contasse o que acontecia então li tudo. A Elena Ferrante escreve bem, leitura flui, mas que história de revirar os olhos. No primeiro livro ela coloca um mistério que não é resolvido no quarto livro (afff), tem um romance no meio que não cola, o tal do Nino é insuportável, não sei qual das duas é a mais chata e nunca mais a Elena Ferrante me pega para ler um livro dela.

- Clarice - Benjamin Moser - Biografia da Clarice Lispector. Eu não sabia quase nada sobre essa escritora maravilhosa e agora sei mais um pouco.

- Hitmakers - The Science of Popularity in the Age of Distraction - Derek Thompson - um livro sobre a psicologia dos hits e a economia das midias. Porque determidados filmes, músicas, livros, personagens se tornam sucesso. Como a tecnologia muda e avança mais rápido que as pessoas. É um estudo e uma investigação do que chama atenção das pessoas no século 21. Tem ótimas histórias sobre carros, discursos do Obama, vampiros, música pop, pequenos negócios, coisas que viralizam, e a evolução livros-radio-tv-internet.

- Quando a Lua Canta Para o Lobo - Barbara Axt - Conheci a Barbara num pub em Londres e ela estava divulgando (e vendendo) seu livro. Apoiar novos autores é sempre importante. Esse livro é uma história de amor com elementos de fantasia, sobre Luna e Eric. Londres é bem descrita nesse livro e quem conhece a cidade vai se sentir andando por ela.

- Sourdough - Robin Sloan - Esse livro me deu vontade de comer pão. Muito pão. E pão específico. A história é sobre uma mulher que trabalha numa empresa de robôs em San Francisco e um dia resolve fazer pão. Sourdough especificamente - um tipo de pão de longa fermentação comum na cidade Californiana. É uma história divertida de como ela começa a produzir, depois vender e o conflito dela em largar o emprego.

- A Vida Invisível de Eurídice Gusmão - Martha Batalha - Que livro delicioso de ler! Adorei. Como diz no título esse livro é sobre a vida da Euridice Gusmão e todos a sua volta (seu marido, sua irmã, seus pais, sua vizinha fofoqueira, o dono da papelaria da esquina, etc). Eurídice é uma dona de casa no Rio de Janeiro, nos anos 1950,  cheia de talentos que desenvolve mas é sempre barrada de alguma forma pela sociedade, pelo marido, pelas circunstâncias.

- O Humano Mais Humano - Brian Christian - Humano mais humano é um título dado junto com um prêmio ao humano que conseguir provar através do teste de Turing que é um humano de verdade. Uma máquina é considerada pensante se conseguir convencer 30% dos juizes que é um humano através de uma série de perguntas em 5 minutos. E do outro lado humanos tentam fazer o mesmo. O autor do livro se inscreveu no prêmio de 2009 e no livro ele conta como estudou para poder responder as perguntas. E aí vai muita filosofia, linguagem, comunicação, como funcionam os programas de inteligência artificial, etc. A falha desse livro foi o autor não colocar seu teste para a gente saber como foi sua conversa (e ele ganhou o prêmio de humano mais humano daquele ano).

- Purple Hibiscus - Chimamanda Ngnozi Adichie - Esse livro conta a história da Kambili, uma garota de 15 anos, na Nigéria, que é de uma familia rica e tem um pai hiper religioso quase fanático (católico) e rígido. Seu pai é querido na comunidade porque ajuda muitas pessoas mas dentro de casa a realidade é outra. Kambili e seu irmão mais velho tem sua rotina de estudos, reza e pouca liberdade, quebrada quando eles tem que ir passar um tempo na casa da tia (irmã do pai). Com a tia e os primos eles aprendem que a vida pode ser melhor, mesmo com menos dinheiro. Tem um desfecho quase surpreendente (digo quase porque com tudo que é colocado no livro faz até sentido) e é muito bem escrito. Lerei mais da Chimamanda.

- Flâneuse: Women walk the city in Paris, New York, Tokyo, Venice and London - Lauren Elkin - Esse livro começa muito bem com uma filosofada sobre flanar (andar pela cidade e observar detalhes e pessoas) e porque isso era uma exclusividade masculina. Mulheres flanadoras eram raras nos séculos passados por todos os motivos que conhecemos (não andavam sozinhas, lugares não apropriados, não se davam o direito ao prazer de andar por andar observando, etc). Afinal o espaço não é neutro e a busca por essa neutralidade é sim uma causa feminista. Tem capítulos bons como o de Long Island que a autora morava numa cidade dependente de carros e se maravilhou quando se mudou para Manhattan. O capítulo de Tokyo é bom só porque ela é honesta em dizer que não gostou. Os outros são ela descrevendo o que outras autoras escreveram sobre os lugares (Virginia Woolf em Londres, George Sand em Paris), tem um capítulo inteiro que ela descreve um filme (muito chato), tem um capítulo sobre a Martha Gellhorn (jornalista de guerra e escritora) que é bom mas não serve o propósito do livro. Na volta dela a NYC dei uma boa revirada de olhos de tanto clichê. No finalzinho ela retoma o tema, mas achei essa autora chatinha.

- A Glória e seu Cortejo de Horrores - Fernanda Torres - Um livre sobre um ator, Mario Cardoso, e toda sua carreira (aventuras e desventuras) desde o teatro universitário na década de 1960 até as novelas de hoje. Os capítulos se alternam entre passado e presente (onde o ator montou uma versão fracassada do Rei Lear de Shakespeare). É um livro bem escrito, com humor e ironia. De quebra ficamos sabendo como funciona os bastidores de peças, filmes e novelas. A Fernanda Torres entende bem seus personagens. E o prazer de ler aumenta se você conhece a Tijuca e os tijucanos (a Tia Helô era tijucana roots). Um livro que começa com Rei Lear e termina com MacBeth.


Momento TOC Livros de anos anteriores:  
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23.12.17

+Filmes

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

A Rainha Victoria no ano do seu Jubileu recebeu uma moeda da India que fazia parte de seu império. Quem foi entregar essa moeda foi o Abdul. O Abdul era um escrituário em uma prisão na India e foi escolhido porque era alto.

A Rainha Victoria se encantou com o Abdul, ficaram amigos e ele se tornou o Mushi dela. Mushi é uma espécie de professor espiritual. A Rainha queria aprender as coisas da India, afinal ela era a Imperatriz da porra toda, e Abdul a ensinou a língua e os costumes.

Acontece que nem o filho da Rainha (e futuro Rei) nem o staff real curtiu essa amizade e colocaram uma pressão para mandar Abdul de volta para India. A Rainha Victoria não cedeu e ele só voltou quando ela morreu.

Para quem gosta das histórias da realeza britânica esse filme é bom. A Rainha Victoria foi monarca por 64 anos e certamente tem muitas histórias aí que ainda podem ser contadas.

A Tia Helô iria gostar da Rainha, já da esposa do Abdul escondida atrás da burka nem tanto. 51 "Ai, Jesus!" para Vic and Abs.


Me Chame Pelo Seu Nome

Esse filme é do mesmo diretor do ótimo A Bigger Splash (com Tilda Swinton e Ralph Fiennes).

Call Me By Your Name é um filme sobre: amor, sexo, descobrimento e crescimento. É um filme sexy e sensível.

Armie Hammer faz Oliver um estudante universitário que vai passar o verão na Itália, na casa de um professor. O professor tem um filho adolescente, o Elio. A família do professor é plural: ele é americano, sua esposa não descobri se era francesa ou italiana mas ela também falava alemão, o filho fala francês, inglês e italiano e estão todos inserido naquele ambiente de "moramos numa vila numa cidade pequena italiana".

Oliver é o típico americano confiante, com um pé na arrogância, mas afff que homem lindo! Todos amam Oliver, todos querem Oliver. Mas Oliver só queria uma pessoa.

O mais interessante nesse filme é a reação dos pais do Elio.

A cena final certamente vai render alguma indicação mara o Timothée Chalamet (o Elio) que consegue com o olhar, na duração de uma música, enquanto os créditos estão rolando, resumir toda experiência emocional do Elio até aquele momento.

Acho que esse filme poderia ter alguns diálogos melhores no início, só, o resto gostei de tudo. Quem não gosta de ver Armie Hammer dançando, nadando, jogando vôlei....

A Tia Helô iria tapar os olhos. 412 "Ai, Jesus!" para um pessego.



O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of the Sacred Deer)

Mais um filme do diretor de The Lobster e é tão esquisto quanto.

Colin Farrell e Nicole Kidman são um casal de médicos. Ele é cardiologista e cirurgião e ela é oftalmologista. Eles tem dois filhos.

Um dos pacientes do Colin Farrell morre na mesa de cirurgia e ele passa a dar atenção ao filho desse paciente. Acontece que esse rapaz tem uma surpresinha para o Colin Farrell onde o médico tem que fazer uma escolha.

Esse filme é muito interessante e assim como Mother! (mas mais sutil e melhor) faz suas referências bíblicas (e mitológicas).

Gostei desse filme.

A Tia Helô iria sacar logo as referências. Ou não. 622 "Ai, Jesus!" para o coração batendo no início.

15.12.17

Star Wars: Os Últimos Jedi


 The Last Jedi é o episódio VIII de Star Wars.

(Rogue One faz sim parte dessa saga mas é considerado quase um spin off e na linha do tempo seria o episódio 3.9)

COM TODOS OS SPOILERS. Avisei. (Não vou conseguir fazer um post sem spoilers.)

No fim do Despertar da Força (o episódio VII) a situação era a seguinte:
- Os rebeldes destruiram mais uma estrela da morte.
- Finn quase morreu e estava na ala médica da nave dos rebeldes.
- Poe Dameron feliz que explodiram tudo e General Leia triste com a morte do Han Solo.
- Kylo Ren revoltadinho com seu novo look (um corte na cara) fugiu junto com alguns outros da First Order.
 - e a Rey encontrou o Luke Skywalker em sua ilha.

O episódio VIII já começa com uma espetacular perseguição de naves com muitas explosões e Poe Dameron no comando. Meu pedido de darem mais tempo de tela ao Oscar Isaac foi atendido, obrigada! Acontece o Poe Dameron toma as piores decisões nesse filme e muitos rebeldes morrem. Poe é aquele cara que quer fazer tudo agora, "vamos explodir coisas!", "precisamos reagir", e enquanto isso toma PAH! da General Leia e da Almirante Holdo. Felizmente no fim o Poe Dameron é capaz de aprender sua lição e consegue ver que nem sempre explodir tudo é a solução.

Falando na Almirante Holdo, ela chegou agora e já teve a cena mais impactante e maravilhosa de todo o filme.

Do querido BB-8 vou só dizer que ele salva muita gente nesse filme. Muito amor por esse androide.

Kylo Ren foi chamado pelo Snoke que o chamou de garoto mimado e incapaz. Kylo teve um ataque de birra no elevador, pegou sua nave e decidiu que ia explodir as naves dos rebeldes que estavam tentando fugir.

Aliás, esses rebeldes passam o filme todo fugindo e a First Order está só esperando eles acabarem o combustível. (Quando que combustivel foi problema em Star Wars?)

Kylo Ren quase aperta o botão para mandar General Leia, sua mãe, pelos ares mas não faz. Mesmo assim alguém joga uma bomba e Leia vai parar no meio do espaço mas usa seus poderes Jedi para sobreviver numa cena bonita.

Enquanto isso....Rey está na ilha com Luke Skywalker.

Luke nem quer ouvir falar dos Jedi, ele está curtindo sua vida subindo e descendo escadas, tomando leite verde de criaturas com 4 tetas, pescando de forma inusitada e sendo cuidado por umas freiras bem engraçadas.

Chewbacca também está na ilha e faz novos amigos: os fofos e engraçados Porgs.

Mas Luke não consegue ignorar a Força em Rey (ela é poderosíssima) e decide treiná-la em 4 lições, mas só vemos 2 mesmo. Rey é chamada pelo lado negro da força e vai ver qual é. Ela quer saber muito quem são seus pais. (depois o Kylo Ren conta para ela)

Rey e Kylo Ren começam a se comunicar via Sense 8. Eles se veem, conversam e até se tocam mesmo estando em lugares beeeem diferentes (uma nova faceta da Força até então desconhecida para todos nós). Kylo Ren quer que Rey seja sua BFF no lado negro da Força.

(Pausa para dizer que Kylo Ren está com a malhação em dia.)

Luke diz que não vai a lugar nenhum e Rey decide resolver a parada indo encontrar Kylo Ren e tentar convencê-lo a voltar a ser Ben Solo. Chegando na nave Kylo Ren a leva direto para o Snoke.

Quem é Snoke? De onde vem? O que ele come? Ninguém sabe. Ele só falou muito, não disse nada e morreu. É isso. Vilão que só serviu para a gente ver uma das cenas de luta com sabre de luz mais bacanas de toda a saga: Kylo Ren e Rey juntos lutando contra soldados samurais vestidos lindamente de vermelho.

Logo depois Kylo Rey e Rey se enfrentam e a única coisa que acontece é partir o sabre de luz do Luke no meio.

Gosto do Kylo Ren/Ben Solo. Acho que o Adam Driver acertou mesmo nesse personagem. O Kylo Ren tem muitos daddy issues: com Han Solo, com o Snoke e com o Luke. Vai um Freud aí?

Também gosto muito da Rey, ela arrasa.

Outro personagem que acho divertido é o General Hux, e acho que ele não vai mais deixar as birras do Kylo Ren passarem em branco no próximo filme.

E aí chegamos na parte final do filme que acontece num planeta que tem uma base antiga dos rebeldes e os 20 rebeldes restantes vão para lá. A First Order que está decidida a dizimar todos os rebeldes chega lá com uma mini estrela da morte (porque não é Star Wars se não tiver uma estrela da morte) e temos mais uma batalha. Cenas lindas num lugar que parece um deserto de sal, mas que embaixo da camada branca tem uma vermelha que deixa tudo mais bonito.

Se O Despertar da Força é laranja, Os Últimos Jedi é vermelho.

Nessa batalha até Poe Dameron se retira e Finn vai numa vibe kamikaze mas a Rose o salva. Sinceramente, se Finn tivesse morrido ali teria sido digno. Quem é Rose? É a nova personagem que ficou melhores amigas do Finn e os dois tiveram a PIOR parte do filme no planeta cassino. Poderiam ter cortado toda essa parte, mas volto a comentar isso mais na frente.

Luke tem uma conversa linda e sincera com o querido e divertido Yoda (o boneco e não CGI, yes!) e aprende que os erros e os fracassos também importam.

Luke aparece lá na base, troca uma idéia com a Leia e vai resolver a parada. Kylo Ren e Luke Skywalker, sobrinho e tio, decidem as diferenças numa luta e no fim descobrimos que Kylo estava enfrentando uma projeção de seu tio. Whaaaaat? Pois é. Toma essa Kylo Ren!

Nisso a Rey apareceu do nada na Millenium Falcon e foi salvar os 10 rebeldes que acharam um buraco para sair da base. Poe Dameron, Finn, Rose e General Leia incluídos. C3PO também.

E R2D2? Ele aparece para um momento nostálgico que vale a pena.

Sinto dizer mas Luke Skywalker cansado da luta em proejeção com Kylo Ren vira ar no fim desse filme e é muito bonita essa cena, especialmente ele olhando os 2 sóis assim como fazia em Tatooine em A New Hope.

Então para o episódio IX, que será dirigido pelo JJ Abrams, temos:

- Rey e o que restou dos rebeldes ainda estão fugindo da First Order. (Os pais da Rey a venderam por uns drinks e não são ninguém na fila do pão, segundo o Kylo Ren e espero que ele não esteja mentido. Ponto positivo a Rey não ser de linhagem conhecida.)
- Kylo Ren é o novo chefão da First Order, mas General Hux está de olho.
- Poe Dameron e Rey finalmente se conhecem, e se fosse a Rey não perdia a oportunidade. Just saying.
- Poe Dameron e BB-8 ficam separados um tempo e seu reencontro é lindo. Eu coração Oscar Isaac.
- Finn está cuidando da Rose machucada.
- General Leia está viva e com muita esperança na nova Aliança Rebelde que vai surgir. (e nós curiosos como vão fazer sem a Carrie Fisher)
- Luke Skywalker kaput, mas sempre pode voltar como fantasma camarada da Força.
- Ah, e tem aquele garotinho no planeta cassino que tem a Força e o anel dos rebeldes que a Rose deu para ele. (20 minutos inuteis de filme só para esse garotinho fazer sentido no fim).

Resumindo: Achei esse filme divertido, tem cenas muito bonitas e tem cenas emocionantes, mas tem o ritmo quebrado e certamente poderia ter 20 minutos a menos. Gostei de muitas coisas porém, as vezes, achei que era didático demais. Confesso que em algumas partes revirei os olhos. Pronto. Falei.

Vamos ver o que vai acontecer no próximo.

A Tia Helô iria ficar aliviada de ter visto menos Stormtroopers morrendo dessa vez. 157 "Ai, Jesus!" para Os Últimos Jedi.


Update: uma foto do Poe Dameron (Oscar Isaac) por motivo de: adoro.